Mas o golpe não aconteceu no dia 31 de março? Por que a Ufes marcou a data para 1º de abril? Na realidade, as duas datas contêm uma polêmica e uma ironia.
A polêmica: até hoje, às vésperas dos 61 anos da vitória do golpe militar no Brasil, historiadores, políticos e militares não se entendem sobre a real data do marco inicial da violação da democracia no país.
Políticos de direita e militares, principalmente, sustentam que o “movimento militar” ou “revolução” (dificilmente eles admitem o termo “ditadura”) ocorreu no dia 31 de março; na realidade, começou na madrugada desse dia para 1º de abril.
Por outro lado, políticos, historiadores e adeptos de esquerda, de uma forma geral, apontam que a data correta é 1º de abril, consagrado como o Dia da Mentira. Mais que uma precisão temporal, o que eles pretendem evidenciar é que as promessas dos militares não passaram de um engodo, de uma enganação, que acabou levando o povo brasileiro a amargar 21 anos de ditadura militar com seu cardápio de censura, repressão e mortes.
A cassação dos títulos de
Doutor Honoris Causa foi aprovada no dia 27 de fevereiro pelo Conselho Universitário da
Ufes, órgão que também definiu a data da sessão solene.
O relatório da Comissão da Verdade da universidade federal já havia sugerido, em 2017, que a Ufes efetivasse a cassação como uma das medidas a serem tomadas a partir das revelações que o documento trouxe.
A cassação das honrarias é uma resposta a um procedimento administrativo do Ministério Público Federal (MPF) de 2024 que solicitou que a Ufes revogasse os títulos e tomasse outras providências sugeridas pela Comissão da Verdade.
O Conselho Universitário também é o realizador da sessão que será realizada no Cine Metrópolis, no campus de Goiabeiras da Ufes, às 9h. A entrada é gratuita.
Mas o que importa dizer mesmo é o seguinte: ditadura nunca mais!