Ele chegou recentemente do estaleiro da Coreia do Sul para a
Petrobras, é moderno, considerado ecologicamente sustentável, mas, para os capixabas, o que chama mesmo a atenção no navio Suezmax DP2 Eagle Colatina é o nome da cidade do Noroeste do Estado. E por que tamanho deferimento à cidade que nem petróleo tem?
A explicação oficial não avança muito: “A empresa selecionou várias cidades brasileiras que começam com C e fizeram uma votação interna, sendo o nome
Colatina escolhido com mais votos”, afirma a petroleira que está no alvo do governo Bolsonaro e seus aliados.
Mas a coluna apurou que há outro motivo, de caráter mais científico, no batismo da embarcação, embora Colatina não tenha uma só gota de petróleo para chamar de sua. Segundo uma fonte da prefeitura, a Princesinha do Norte não tem petróleo, mas geologicamente é relevante para a produção do chamado “ouro negro”.
A fonte revela que uma pesquisa da
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) mostrou que existe uma placa tectônica, que passa por Colatina, onde foi descoberto petróleo. Este conjunto de lineamentos, como é chamado pelos especialistas, se inicia no Sul de Vitória, passa pela cidade de Colatina e por Pancas, e termina no Noroeste, no limite com Minas Gerais.
Segundo os estudos, esta feição tectônica teria se originado no período neoproterozoico e, durante a idade paleozoica, teria sido reativada, sofrendo movimentos de cisalhamento, um fenômeno que provoca deslocamento.
Há 40 milhões de anos, o movimento das placas tectônicas contribuiu para o fechamento dos oceanos primitivos. Essa água evaporou-se e minúsculos vegetais marinhos se depositaram no fundo dos mares. Por meio de decomposição – e também de aumento na pressão e na temperatura -, o material orgânico desses microorganismos deu origem ao petróleo.
E há ainda uma terceira explicação, de natureza mais sentimental, para que o navio tipo Eco Type, mais sustentável ecologicamente, recebesse o nome Colatina. De acordo com o prefeito Guerino Balestrassi, há um técnico colatinense que trabalha no estaleiro sul-coreano onde foi construída a embarcação de 155 mil toneladas de porte bruto. Por influência desse profissional, o navio teria sido batizado em homenagem à cidade do Noroeste do ES.
Seja qual for o motivo, Colatina merece a homenagem. Que tal também reflorestar a devastada região Noroeste e cuidar com mais carinho e respeito do
Rio Doce? A cidade merece também essas homenagens.