O bucólico município de
Alfredo Chaves, conhecido pelas suas cachoeiras e belezas naturais, tem enfrentado uma explosão de casos do
novo coronavírus. Aos números: no dia 1º novembro do ano passado foram registradas 546 confirmações da doença. Já em 27 de janeiro, o número saltou para 1.523, um crescimento de 178,94% em menos de dois meses.
A questão ainda fica mais problemática quando há comparação com o tamanho da população. Segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alfredo Chaves tem 14.636 habitantes. Considerando a hipótese de que todos os contagiados são moradores da cidade, isso quer dizer que mais de 10% de quem vive no município contraiu a Covid-19.
Os óbitos também cresceram. Se até novembro do ano passado a cidade acumulava oito mortes em decorrência do vírus, esse quantitativo foi para 20, em janeiro de 2021, ou seja, no intervalo entre novembro a janeiro ocorreram mais mortes do que em todo o período anterior da pandemia, no período de março a novembro.
Até esta quinta-feira (28), Alfredo Chaves tinha vacinado 100 pessoas contra a Covid-19. Receberam o imunizante 89 profissionais e 11 idosos. A prefeitura diz que recebeu até agora 148 doses.
Coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Alfredo Chaves, a enfermeira Eveli Danila Callente Sinhorelli atribui o crescimento de casos às medidas de relaxamento social autorizadas pelo Estado e à chamada busca ativa dos pacientes com Covid, permitindo o rastreamento da doença em tempo real e sem subnotificação.
"Houve relaxamento por meio das portarias estaduais, flexibilizando o funcionamento de bares e restaurantes. Temos muitas pousadas e cachoeiras na cidade, e a transmissão do vírus fugiu ao nosso controle", admitiu Eveli. "As pessoas acabaram extrapolando", lamentou.