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Leonel Ximenes

Cidade no ES cria bosque da memória para homenagear mortos pela Covid

Na área de Mata Atlântica serão plantadas 211 árvores representando cada uma das vítimas da pandemia no município

Publicado em 30 de Agosto de 2021 às 02:07

Públicado em 

30 ago 2021 às 02:07
Leonel Ximenes

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Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Parque Municipal Sombra da Tarde, onde será criado o bosque da memória em Barra de São Francisco
Parque Municipal Sombra da Tarde, onde será criado o bosque da memória em Barra de São Francisco Crédito: Gilberto Gil
A vida tem que continuar - nem que seja perpetuada na natureza. O prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD) entregou as primeiras mudas de árvores a pais de filhos nascidos em meio à pandemia de Covid em Barra de São Francisco. E anunciou que vai também criar o bosque da memória, numa área junto ao Parque Municipal Sombra da Tarde, onde será plantada uma árvore para cada vítima da pandemia no município.
Desde maio de 2020, Barra de São Francisco, que tem 45 mil habitantes, já perdeu 211 pessoas para a Covid. Por isso, serão plantadas 211 árvores numa solenidade a ser agendada para os próximos dias pelo chefe do Executivo. “Cada árvore receberá uma placa com o nome de uma das vítimas da Covid. Vamos identificar na comunidade artesãos que trabalham em pedra e fazer essas placas em refugos de granito, que hoje é um dos sustentáculos de nossa economia”, disse Enivaldo.
Com isso, o prefeito deseja, segundo disse, deixar um legado para as gerações futuras e, ao mesmo tempo, não deixar cair no esquecimento aqueles que se foram. “No bosque, as pessoas poderão ajudar a cuidar das árvores e reverenciar a memória de seus queridos. No futuro, quando não estivermos mais aqui, queremos que as novas gerações mantenham essa tradição e assim, pouco a pouco, vamos recuperando o que perdemos, além de manter a lembrança de quem construiu a cidade”, disse Enivaldo.
Da mesma forma que terá o bosque da memória - que continuará crescendo, conforme a ideia do prefeito com o plantio de uma árvore pela família de cada pessoa que morrer no município, independentemente da pandemia -, Barra de São Francisco terá também o bosque da vida.
“Já começamos a distribuir as mudas de árvores nativas para os pais que tiveram filhos nascidos na pandemia. A ideia é que, ao longo de sua existência, essas crianças sejam levadas para ajudarem a cuidar da árvore que simboliza a vida delas. Existe um estudo científico (revista Science, julho 2019) que diz que precisaríamos plantar 1,2 trilhão de árvores para controlar o aquecimento global. Temos que começar o movimento com a primeira árvore e nós vamos fazer nossa parte. Um pequeno gesto que, se for espalhado pelo planeta, poderá representar muito”, aposta o prefeito.
O Parque Sombra da Tarde, que terá o bosque da memória, foi inaugurado em dezembro de 1999, com a presença do ministro do meio ambiente Sarney Filho e do então governador José Ignácio Ferreira. O parque ocupa uma área de 158 mil metros quadrados, que estava toda degradada.

REMANESCENTE DA MATA ATLÂNTICA NO ES

Hoje, é uma reserva da Mata Atlântica, com a presença catalogada de 33 diferentes espécies de formigas, tamanduá, jaguatirica, cobras e pássaros. É rico em flora e fauna, tendo em seu interior 2.200 metros de trilha, servido de água potável e tem um salão de 40 metros quadrados destinado a palestras ambientais.
É um monumento ao que havia no passado. Município criado a partir da migração de capixabas, fluminenses e mineiros, Barra de São Francisco, assim como todo o Norte e Noroeste capixaba, é um exemplo dos danos ambientais provocados pelo homem. Seu território era quase todo coberto por florestas nativas há 100 anos, mas hoje o que se tem é 54,5% de seu território tomado por pastagens onde antes era mata, e apenas 10,8% de remanescente da Mata Atlântica.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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