A saúde emocional dos profissionais que atuam diretamente na segurança pública do Estado é tema de uma pesquisa que será desenvolvida pela
Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) e a
Ufes. Com base nesse diagnóstico, serão desenvolvidas ações de atenção à qualidade de vida desses trabalhadores.
Participarão da pesquisa cerca de 18 mil profissionais das forças de segurança pública: Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar (PMES), Polícia Civil (PCES), Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), Secretaria de Justiça (Sejus), Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) e Guardas Municipais de Vitória, Vila Velha, Serra, Viana e Cariacica (esta ainda em formação).
A pesquisa será realizada em três etapas, começando pela
Grande Vitória e o
Norte do Estado, onde o projeto já foi apresentado em reuniões preparatórias. Nesta segunda-feira (21), a coleta começou numa reunião da Sesp com representantes de cada unidade policial, os quais receberão um modelo de formulário para repassar para suas equipes. Os dados coletados por meio dos formulários serão tratados e analisados.
Há mais de um ano, reuniões vêm sendo realizadas em diversas unidades policiais, para apresentação do projeto e garantia de adesão dos policiais e demais agentes de segurança. A previsão é de que os primeiros resultados estejam disponíveis em dezembro.
“Nosso maior desafio foi convencer os profissionais de que poderiam confiar na pesquisa. Para isso, no último ano fizemos visitas nos batalhões, companhias, delegacias e outras unidades policiais, explicando a metodologia e a importância da adesão”, diz o professor Pedro Ferro, coordenador da Comissão Permanente de Atenção à Saúde dos Profissionais de Segurança Pública, Defesa Social e Justiça no Espírito Santo Copas), que é vinculada à Sesp.
Segundo Ferro, a sociedade ainda tem uma ideia equivocada sobre a imagem do profissional de segurança pública: “A saúde mental do trabalhador da segurança pública ainda é um tabu, pois a sociedade construiu uma ideia de que este profissional é invencível. Nosso objetivo é trazer luz sobre esse assunto e dar, realmente, atenção à saúde mental desse trabalhador”.
O estudo, segundo ele, deve apontar caminhos para que o trabalhador desse setor tenha melhores condições de vida. “Os dados vão direcionar os atendimentos psicossociais em cada força de segurança. O que precisa ser feito para que o profissional se sinta acolhido e seguro no desempenho de suas funções? Como direcionar investimentos? Como valorizar nosso capital humano? Essas perguntas serão respondidas com a nossa pesquisa. O objetivo é trabalhar na prevenção e qualidade de vida, antes do afastamento por adoecimento mental. Isso é cuidar de quem cuida das pessoas”, explica o coordenador da Copas.