A grande circulação de pessoas entre o
Sul capixaba e o Norte fluminense, em função do negócio de
petróleo, bem como o movimento vendedores de abacaxi de
Marataízes foram as principais causas do alto índice de contaminação da população do extremo Sul do Estado pelo novo coronavírus.
As informações foram levantadas junto a profissionais da vigilância epidemiológica de
Presidente Kennedy, onde mais de 1% da população já foi diagnosticada com a
Covid-19. Para pouco mais de 10 mil habitantes, o município tinha, até a última sexta-feira, 128 casos confirmados (101 da própria cidade), com dois óbitos. São mais de mil casos por grupos de 100 mil habitantes em Presidente Kennedy.
Para efeito de comparação,
Serra lidera o número absoluto de casos no Espírito Santo, com 1.955 confirmados, o que equivale a 378 casos por grupo de 100 mil habitantes.
Os profissionais de saúde locais dão duas explicações, tanto para Presidente Kennedy, quanto para Marataízes e
Itapemirim: muitas pessoas da região foram morar no Norte do Rio de Janeiro e na Região dos Lagos a partir da década de 1990, atraídas pelo boom do petróleo, mas a interação com suas cidades de origem é intensa, pela proximidade.
Em Presidente Kennedy, o primeiro caso detectado foi justamente de uma mulher que morava no Norte fluminense há muitos anos e que, como sempre vazia, foi buscar atendimento na sua cidade natal, contaminando sua família e profissionais de saúde. E a doença se alastrou rapidamente.
Mas existe um aspecto positivo nos números altos de Presidente Kennedy: a prefeitura local comprou logo uma grande quantidade de
testes rápidos e está testando massivamente a população. Ou seja, segundo esses profissionais da vigilância epidemiológica, os números da “cidade do petróleo” estão expressando a realidade, “e não um cenário de subnotificação como o que ocorre no Estado e no restante do país”.
Quanto a Marataízes, que é colada a Itapemirim, os primeiros casos apareceram com vendedores de abacaxi, que circulam muito por outras regiões. A transmissão comunitária se encarregou do restante. Os fatos são inquestionáveis: de acordo com dados da prefeitura local, em
Barra do Itapemirim, o bairro mais antigo de Itapemirim e que concentra o comércio popular, metade dos contaminados é de Imbuí, comunidade produtora de
abacaxi.