Pessoas próximas ao governador já insistiam há algum tempo na necessidade de troca do secretário da Segurança. Casagrande ouviu com atenção as ponderações desses interlocutores e foi amadurecendo a decisão nos últimos dias, mesmo em meio à
pandemia do coronavírus. Não havia tempo a perder - a Segurança Pública do ES agonizava a olhos vistos.
O quadro se tornou ainda mais grave neste fim de semana. O Estado assistiu a mais um banho de sangue: foram 20 assassinatos nestes dois últimos dias, sendo domingo, com 13 homicídios, o pior dia desde (novamente) desde fevereiro de 2017.
O delegado da Polícia Federal Antônio Roberto Cesário de Sá caiu pela segunda vez do cargo de secretário de Estado da Segurança Pública. A primeira vez, foi no Rio de Janeiro, onde nasceu e mora. Curiosamente, a permanência, tanto na pasta fluminense quanto na capixaba, teve um prazo de validade menor do que 18 meses, ou seja, menos do que a metade do mandato do governador Casagrande.
No Rio de Janeiro, Sá esteve na pasta de outubro de 2016 a fevereiro de 2018. Saiu logo após o crescimento dos homicídios na capital fluminense, e em seguida à intervenção federal na área de Segurança do Estado vizinho. No ES, comandou a Sesp de janeiro de 2019 a abril de 2020. Um prazo de validade que se repetiu, infelizmente.
Embora tenha liderado o ano com menor crimes letais da série histórica do Espírito Santo, Roberto Sá mantinha, segundo policiais, um perfil mais tímido se comparado aos seus antecessores, como o coronel da reserva Nylton Rodrigues e o procurador André Garcia, um dos mais longevos no cargo.
Em momentos mais sensíveis em que houve a eclosão da violência, o secretário não aparecia em operações de saturação ou não dava entrevistas, delegando para policiais civis e militares a missão.
Conhecido por Ramalhão, entre os mais próximos, o coronel que vai assumir a Sesp estava no comando da Secretaria Municipal de Segurança de Viana, onde foi bastante elogiado. “O coronel Ramalho é um estudioso, sabe planejar, vai para as ruas comandar operações todas as semanas, é disciplinado e tem visão estratégica de segurança”, elogia uma fonte que trabalhou com o militar.
Ramalho, quando comandante do 1º Batalhão da PM (Vitória), teve papel preponderante no retorno dos policiais às ruas ao longo da greve da PM, em 2017. Policial operacional e que tem a tatuagem da PM estampada em seu braço, o coronel é reconhecido por sua dedicação forte ao trabalho, não importando o horário para dormir ou acordar.