José Luciano Duarte Penido, o conselheiro de Administração da
Vale que renunciou ao cargo nesta segunda-feira (11), por discordar do processo de sucessão do atual presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, é uma figura bem conhecida do Espírito Santo.
O ex-conselheiro, que estava no Conselho de Administração da Vale desde 2019, foi diretor-presidente da
Samarco por um período de 13 anos (1992 a 2003) e presidente do conselho da Fibria Celulose, antes da fusão com a Suzano, por mais de uma década.
Penido saiu “atirando”. Em carta à direção da Vale, afirmou que o processo de sucessão da empresa tem sido “conduzido de forma manipulada, não atende ao melhor interesse da empresa e sofre evidente e nefasta influência política”.
Conselheiro independente dos acionistas, assim como o
ex-governador Paulo Hartung, Penido também declarou no documento que “não acredita mais na honestidade de propósitos de acionista relevantes da empresa”. E arrematou: “Neste contexto, minha atuação como conselheiro independente se torna totalmente ineficaz, desagradável e frustrante”.
A empresa de mineração recentemente se tornou alvo de polêmica porque, supostamente, o governo federal estava fazendo pressão para nomear o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como CEO, substituindo Bartolomeu.
Nesta segunda-feira, a decisão do Conselho de Administração da Vale de estender o mandato de Bartolomeu de maio até dezembro deste ano resultou na renúncia de Penido.
A imprensa nacional apontou que Penido e Hartung supostamente foram os dois conselheiros que se opuseram a essa solução para o problema de sucessão da mineradora.