A decisão do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Erick Musso (Republicanos), de
retomar gradualmente as atividades presenciais da Casa, provocou um racha entre os servidores do Legislativo. O sentimento foi de perplexidade, inclusive de alguns aliados do parlamentar.
Segundo o que a coluna apurou, pouquíssimos tiveram acesso à manifestação do deputado, anunciada ontem (11), justamente no dia com mais registros de mortos (15) pela
Covid-19 no Espírito Santo.
Entre os servidores da Casa, os mais alinhados à extrema-direita apoiaram a reabertura e o retorno ao trabalho, como vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro. Mas outra visão densamente compartilhada entre funcionários foi o discurso do
secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, pedindo prudência, num dia trágico para o Estado.
A quantidade de 15 mortos supera, inclusive, o dia mais violento do ano no ES, 5 de abril, quando 12 pessoas foram assassinadas.
A Assembleia Legislativa tem oito deputados com mais de 60 anos: Delegado Danilo Bahiense, Doutor Hércules, Emílio Mameri, Enivaldo dos Anjos, Iriny Lopes, Janete de Sá, José Esmeraldo e Theodorico Ferraço. Embora no grupo de risco, todos estes têm demonstrado ter uma saúde boa. Do alto dos seus 80 anos, Hércules Silveira chegou a perguntar se poderia participar das sessões no plenário.
Há ainda outros deputados que apresentaram comorbidades recentes, como Euclério Sampaio. O parlamentar, que é pré-candidato à Prefeitura de Cariacica, teve um problema de coração e necessitou ficar afastado para tratamento.
Mostrando que não escolhe idade entre suas vítimas, o coronavírus na Assembleia Legislativa atingiu inclusive os parlamentares mais jovens, como o próprio
presidente Erick Musso e
Lorenzo Pazolini.
Musso, em uma sessão virtual, chegou a detalhar que o coronavírus lhe provocou muito cansaço e até dificuldades para tomar banho. Aliás, o deputado tem sido alvo de memes que circulam pelos grupos de servidores da Ales. Um deles o compara à
influenciadora digital Gabriela Pugliesi, que deu uma festa, transmitida pelas redes sociais, em que ela debocha da doença.
Curiosamente, a Covid-19, na Assembleia, atingiu em cheio os Republicanos: além de Erick e Pazolini, o correligionário
Roberto Carneiro, diretor da Assembleia, foi acometido pela doença.
Fontes ouvidas pela coluna calculam que um retorno gradual das atividades na Assembleia, ainda que em meio período, poderia trazer até 30% do efetivo da Casa de volta ao trabalho presencial.
A assessoria diz que a Ales tem 1.374 servidores ativos (incluindo os parlamentares), ou seja, pelo menos 400 pessoas poderiam voltar a circular pelos corredores do Palácio Domingos Martins. Esse acréscimo também aumentaria o número de pessoas que utilizariam o transporte coletivo, uma temeridade nestes tempos de coronavírus.
Logo após a publicação desta matéria, o presidente da Assembleia entrou em contato com a coluna e disse que a decisão final sobre a retoma das atividades presenciais da Assembleia será decidida amanhã (13): "Estou ouvindo autoridades sanitárias, médicos, servidores e deputados. A decisão será tomada até amanhã de manhã", disse Erick.