Maior festival do gênero do país fora do Nordeste, o Festival Nacional Forró de Itaúnas (Fenfit) está ameaçado de não ser mais promovido no Espírito Santo, depois de 23 anos animando a bucólica vila localizada no município de
Conceição da Barra.
É que a organização do tradicional evento cultural capixaba e brasileiro recebeu uma proposta de, a partir de 2026, levar o festival para a cidade de
Recife (PE): “Ainda estamos em negociação e avaliando todos os prós e contras”, adianta Juliana Oliveira de Matos, organizadora do festival e proprietária, junto com o marido, do Bar do Forró, onde o Fenfit é realizado.
E por que o festival pode deixar o Espírito Santo, após mais de duas décadas? “Não temos apoio das autoridades e do comércio da Vila em geral. Desde a pandemia a volta de shows e eventos está sendo bem aos poucos. Infelizmente é um evento cultural que depende cem por cento da bilheteria e das vendas. Não temos nenhum patrocínio e nem apoio”, lamenta a organizadora.
Segundo Juliana, apenas a edição do ano que vem do Fenfit está garantida. Para ela, a cidade de Conceição da Barra e o distrito de Itaúnas vão perder muito sem o tradicional festival de forró pé de serra, que tem custo estimado em R$ 1 milhão e atrai cerca de 10 mil pessoas, de todas as partes do país e do mundo, à Vila de Itaúnas. Em julho passado, por exemplo, o festival recebeu visitantes de Venezuela, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Japão e EUA.
“É um evento fechado que movimenta a Vila e a sede de Conceição da Barra, na época do inverno e ainda em um lugar praiano, trazendo renda para a cidade”, destaca a organizadora do festival que tradicionalmente é realizado em julho, durante oito noites consecutivas.
Ela não soube precisar o quanto o festival movimenta financeiramente, mas destaca que o Fenfit gera em torno de 50 postos de trabalho, só no Bar do Forró, e tem a participação de 24 bandas concorrentes e 14 professores de dança.
Agora fica a dúvida: será que o Espírito Santo vai dançar mais uma vez?