A
proposta de corte de 30% no salário dos deputados estaduais pelo prazo inicial de três meses, que pode ser prorrogado se a pandemia do coronavírus persistir, não está agradando a todos os parlamentares. No grupo de WhatsApp dos deputados, pelo menos quatro deles - Marcelo Santos, Janete de Sá, Enivaldo dos Anjos e Euclério Sampaio - atacaram o deputado Luciano Machado (PV), autor da proposta.
A coluna teve acesso às mensagens, publicadas ontem à noite (3). Marcelo Santos (PDT), vice-presidente da
Assembleia, foi o mais virulento no ataque. “Você sabe que pegou dinheiro para pagar suas contas. Outra coisa, sabe também que sua proposta é inconstitucional. Me diga uma coisa): paga o DUA [Documento Único de Arrecadação] do governo de R$ 7,5 mil que eu quero ver. Se seu contracheque não consegue por conta dos empréstimos que tem, aí sim, isso é demagogia”, criticou Marcelo, referindo-se a um empréstimo pessoal contraído por Luciano Machado para pagar dívidas pessoas. O valor de R$ 7,5 mil representa o que seria descontado dos contracheques dos deputados se a proposta for aprovada.
Marcelo Santos e Luciano Machado continuaram a discussão no grupo de WhatsApp. O autor da proposta do corte salarial se queixou que Marcelo estava sendo desrespeitoso e antiético, o que provocou a reação do pedetista: “Você está sendo covarde com todos. Se tivesse conversado anteriormente, eu não discutiria isso com você, mas não, foi pra galera como se isso fosse salvar você e sua imagem. Pare com essa demagogia!” (...).
O clima esquentou quando o deputado do PV rebateu outra vez Marcelo: “Você não foi homem de dizer com quem peguei dinheiro e se peguei, se já paguei ou não”. O pedetista respondeu: “Quem não é homem é você, que não tem coragem de dizer que pegou dinheiro emprestado com um colega nosso para pagar contas. Seja homem você”.
Outra que criticou a proposta de corte salarial foi a deputada Janete de Sá (PMN), demonstrando preocupação com a imagem dos parlamentares: “(...) A politicagem de expor os colegas não é um bom caminho. A eleição se deve à credibilidade e ao trabalho. A demagogia é logo desmascarada, e quando as pessoas percebem que estão sendo enganadas, reprovam o enganador”.
Enivaldo dos Anjos (PSD) fez coro com Janete e Marcelo e também atacou a proposta de corte salarial de 30% dos parlamentares. Após criticar o que chamou de velha prática de deputados de esquerda, o veterano parlamentar na Assembleia definiu a iniciativa de Luciano Machado de “demagógica”: (...) “Este comportamento não é sério em época nenhuma e esse tipo de demagogia não tem o respeito da população”. (...)
Outro que parece não ter ficado muito satisfeito com o projeto é Euclério Sampaio (DEM). “Gostaria de ver os que propuseram tal medida se anteciparem e recolher, através de guia própria do governo, os 30% do salário de abril que acabamos de receber. SERIA MUITO COERENTE! (sic).”
Carlos Von, por sua vez, não chegou a criticar Luciano Machado, mas lamentou que, se o corte salarial for efetivado, não poderá ajudar mais uma instituição beneficente em Guarapari, sua base eleitoral. “Esse é o tipo de projeto que não tem como votar contra. Vai impactar na vida de todos. Eu, por exemplo, abri mão de todos os benefícios e vivo do meu salário. Fiz empréstimo, pago pensão e este mês doei 20% do meu salário para o banco de alimentos de Guarapari. Tinha o compromisso em ajudar até o fim da pandemia. Infelizmente, não vou mais poder ajudar o banco de alimentos” (...).
A coluna apurou que Luciano Machado já conseguiu o apoio necessário para que o Projeto de Lei 214/2020, que propõe a redução salarial tramite em regime de urgência na Assembleia. São favoráveis: Torino Marques (PSL), Capitão Assumção (Patriota), Rafael Favatto (Patriota), Vandinho Leite (PSDB), Danilo Bahiense PSL) e Hércules Silveira (MDB).