Apesar de vivermos tempos sombrios, não foi a tragédia da pandemia de Covid-19 que motivou alguém a instalar dois “bonecos da morte”, na calada da noite, em frente à Prefeitura de Itaguaçu,
como mostrou a coluna na última quarta-feira (31/3). Moradores mais antigos da cidade dizem que se trata do "Pisquim", uma tradição da Semana Santa que ainda resiste em algumas localidades do país.
E que tradição é essa? Entre a noite da Sexta-Feira Santa e o Sábado de Aleluia, algumas comunidades faziam um boneco, representando o Judas, e o colocavam na frente da residência de algum morador. Junto da alegoria, ficava um papel, chamado "pisquim", com a relação de “malfeitos” daquela pessoa durante o último ano. A ironia, claro, às vezes dava confusão porque o escolhido não aceitava a “homenagem”.
A coluna consultou alguns sites sobre o folclore brasileiro. A explicação mais provável é que a palavra “pisquim” seja uma corruptela de “pasquim”, um folheto ou qualquer outra publicação satírica afixada em local público.
O site Morro do Moreno explica que no sábado da Aleluia aparecia no alto de um poste ou de uma árvore, próximo à igreja, um boneco representando Judas Iscariotes e um caderno. Nas anotações, era descrito, geralmente por meio de uma poesia, o Judas da comunidade, ou seja, o pior morador da localidade. Estas poesias satirizavam o traidor de Cristo e outros moradores que durante o ano haviam se comportado mal.
Curiosamente, no caso de
Itaguaçu, a tradição foi antecipada em alguns dias, mas alguém não deve ter gostado da brincadeira e retirou os bonecos antes do amanhecer da quarta-feira (31). Apesar de estarem na principal avenida da cidade e em frente ao local de trabalho do prefeito Uesley Corteletti (Republicanos), não deu nem tempo para ver se os dois “bonecos da morte” eram portadores de algum papel com a relação de malfeitos.
Diante disso, que cada um faça seu “pisquim” mental. Não devem faltar nomes para receber a homenagem - em Itaguaçu e em todas as cidades do Espírito Santo.