O padre Kelder Brandão, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, abordou o tema racismo durante a homilia que proferiu, na noite desta quarta-feira (24), durante uma celebração ecumênica na
Igreja Presbiteriana Unida de Maruípe, na Capital.
Em um dos trechos da homilia, proferida por ocasião da Semana de Oração Pela Unidade Cristã (Souc), Kelder Brandão aborda o episódio de racismo de que foi vítima o jogador brasileiro Vini Jr., no último domingo, durante jogo válido pelo Campeonato Espanhol.
Sobre esse caso, o assessor do arcebispo de Vitória afirmou na homilia na igreja evangélica. “Aqui no Espírito Santo presenciamos, às vésperas da data da abolição da escravidão do Brasil, o secretário de
Segurança Pública do Estado, diante das câmeras, expondo e ofendendo um adolescente negro, já inerte e sob sua custódia, dirigindo-lhe vaticínios e palavras ofensivas e humilhantes, evidenciando o racismo estrutural nas instituições públicas capixabas.”
Ainda na carta simbólica destinada a Lula Rocha, Kelder Brandão faz duras críticas ao chamado “racismo estrutural”, conceito sociológico muito presente entre estudiosos da cultura negra no Brasil e no mundo.
“Você, querido amigo, sabia que a paz imposta pela violência é uma mentira e só gera dor e sofrimento, como faziam os romanos e como faz o Estado nas periferias a pretexto de combate do tráfico de drogas. Você sabia que a violência em nosso meio é causada pelo racismo estrutural que condena os negros à pobreza, à prisão e à morte”, afirmou o padre.
Aliás, à certa altura da sua homilia, padre Kelder admite que o
racismo está presente até mesmo nas esferas eclesiais: “As Igrejas Cristãs têm um longo caminho a percorrer no Brasil para superar o racismo presente em nossas práticas litúrgicas e pastorais, muitas vezes, camuflado pelos discursos legalistas e pelas práticas de piedosa caridade, mas que legitimam as desigualdades e injustiças contra os descendentes de escravizados”.