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Leonel Ximenes

Em igreja evangélica, padre critica racismo, Magno Malta e coronel Ramalho

Vigário episcopal da Arquidiocese de Vitória citou episódios polêmicos recentes envolvendo o senador do ES e o secretário estadual da Segurança Pública

Publicado em 25 de Maio de 2023 às 02:11

Públicado em 

25 mai 2023 às 02:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Padre Kelder Brandão
Padre Kelder Brandão proferiu a homilia na  Igreja Presbiteriana Unida de Maruípe Crédito: João Paulo Rocetti
O padre Kelder Brandão, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, abordou o tema racismo durante a homilia que proferiu, na noite desta quarta-feira (24), durante uma celebração ecumênica na Igreja Presbiteriana Unida de Maruípe, na Capital.
O sacerdote, ao ler uma carta simbólica endereçada a Lula Rocha, integrante do movimento negro capixaba que morreu em 2021, aproveitou para criticar o senador Magno Malta (PL-ES) e o secretário estadual da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho.
Em um dos trechos da homilia, proferida por ocasião da Semana de Oração Pela Unidade Cristã (Souc), Kelder Brandão aborda o episódio de racismo de que foi vítima o jogador brasileiro Vini Jr., no último domingo, durante jogo válido pelo Campeonato Espanhol.
“No domingo em que iniciamos a Souc, o mundo inteiro foi testemunha da prática odienta do racismo cometido por um estádio inteiro de futebol na Espanha contra um jogador negro brasileiro, Vinícius Junior. A partir desse fato, já no decorrer da semana, um senador da República [Magno Malta], que representa nosso Estado, fez um pronunciamento criminoso em relação ao ocorrido, ao questionar a ausência de defensores dos macacos, a quem o atacante foi comparado pela torcida.
Padre Kelder proclama a homilia durante celebração ecumênica na Igreja Presbiteriana Unida de Maruípe, em evento da Semana de Oração Pela Unidade Cristã
Padre Kelder proclama a homilia durante celebração ecumênica na Igreja Presbiteriana Unida de Maruípe, em evento da Semana de Oração Pela Unidade Cristã Crédito: Divulgação
O padre se referiu, evidentemente, a Magno Malta, acusado de racismo porque durante uma reunião no Senado, debochou do episódio de violência racial contra o jogador brasileiro: "Cadê os defensores da causa animal que não defendem o macaco?”, ironizou o parlamentar, agora alvo de uma representação no Conselho de Ética da Casa e de uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Sobrou” também para o secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, que em suas redes sociais publicou um vídeo em que criticava o modo de vida de um jovem negro, naquele instante preso no cofre de uma viatura da Polícia Militar.
Sobre esse caso, o assessor do arcebispo de Vitória afirmou na homilia na igreja evangélica. “Aqui no Espírito Santo presenciamos, às vésperas da data da abolição da escravidão do Brasil, o secretário de Segurança Pública do Estado, diante das câmeras, expondo e ofendendo um adolescente negro, já inerte e sob sua custódia, dirigindo-lhe vaticínios e palavras ofensivas e humilhantes, evidenciando o racismo estrutural nas instituições públicas capixabas.”
"O racismo está entranhado na base de nossa formação cultural, política e religiosa, sedimentando as desigualdades sociais que marcam a sociedade brasileira, condenando as pessoas negras a humilhações e violências cotidianas, sendo a pobreza dos descendentes dos escravizados uma marca indelével no Brasil"
Padre Kelder Brandão - Vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória
Ainda na carta simbólica destinada a Lula Rocha, Kelder Brandão faz duras críticas ao chamado “racismo estrutural”, conceito sociológico muito presente entre estudiosos da cultura negra no Brasil e no mundo.
“Você, querido amigo, sabia que a paz imposta pela violência é uma mentira e só gera dor e sofrimento, como faziam os romanos e como faz o Estado nas periferias a pretexto de combate do tráfico de drogas. Você sabia que a violência em nosso meio é causada pelo racismo estrutural que condena os negros à pobreza, à prisão e à morte”, afirmou o padre.
Aliás, à certa altura da sua homilia, padre Kelder admite que o racismo está presente até mesmo nas esferas eclesiais: “As Igrejas Cristãs têm um longo caminho a percorrer no Brasil para superar o racismo presente em nossas práticas litúrgicas e pastorais, muitas vezes, camuflado pelos discursos legalistas e pelas práticas de piedosa caridade, mas que legitimam as desigualdades e injustiças contra os descendentes de escravizados”.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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