O Espírito Santo registra superlotação do seu sistema carcerário e está longe da meta de ter cada vez mais internos com tornozeleiras, para poder aliviar os presídios. A superlotação do sistema, gerido pela
Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), é da ordem de 64,68%. São 13.843 vagas previstas, mas atualmente 22.797 estão ocupadas, conforme as informações de janeiro de 2022.
Outro problema está na questão das tornozeleiras.
Em dezembro de 2019, conforme a coluna publicou, 602 detentos estavam sendo monitorados pelos equipamentos eletrônicos. À época, o então secretário estadual de Planejamento e coordenador do Programa Estado Presente, Álvaro Duboc, comentou que 3 mil tornozeleiras estariam à disposição em 2020. Contudo, em 2022, somente 722 estão sob essa vigilância.
A superlotação dos presídios é mais dramática nas unidades da
Grande Vitória, como o Complexo de Xuri, em Vila Velha. A Penitenciária Semiaberta de Vila Velha, que faz a transição do condenado para o retorno à sociedade, está com 1.752 internos, quando, na verdade, só poderia ter 604 - ou seja, 190% da sua capacidade.
Ainda no complexo canela-verde, a Penitenciária Estadual de Vila Velha 2 está com 1.316 pessoas, mas só tem espaço para 684 (superlotação de 92,4%). Todas as penitenciárias desta região têm mais de mil pessoas, mas com espaço para entre 580 e 684 presos.
O panorama em Viana também é de alerta. A Penitenciária de Segurança Máxima 1 está com 1.115 detentos, sendo que só poderia ter 529. Uma pressão de 110% na sua capacidade.
O interior também não está imune a essa superlotação. A Penitenciária Regional de
Cachoeiro de Itapemirim tem 448 vagas, mas abriga 1.038 internos. Isso significa uma superlotação de 131%.
O tráfico de drogas é a principal causa de entrada de presos no sistema. Em 2021, foram 1.206 que adentraram por esse motivo, sendo que em 2022 essa quantidade já foi de 472. Já por homicídio, no ano passado, também foi de 1.206. E, neste ano, o quantitativo é de 79.
Pelo que se pode observar, somente pelos números brutos, o tráfico é o grande desafio a ser superado pelo Estado.