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Leonel Ximenes

Escola com nome Dante Michelini pode virar Araceli no ES

Pela proposta, a unidade de ensino passará a homenagear a menina que se tornou símbolo nacional da luta contra a violência infantil

Publicado em 11 de Fevereiro de 2026 às 15:02

Públicado em 

11 fev 2026 às 15:02
Leonel Ximenes

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Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Escola Dante Michelini, no bairro Planalto, em Vila Velha
Escola Dante Michelini, no bairro Planalto, em Vila Velha Crédito: Patrick da Guarda
Está tramitando na Câmara de Vila Velha um projeto de lei, do vereador Patrick da Guarda (PL), que propõe alterar o nome da Unidade Municipal de Ensino Fundamental (Umef) Dante Michelini, no bairro Planalto, para Araceli Cabrera Sánchez Crespo.
Pela proposta, a escola localizada na Rua Ronaldo Gonçalves de Rezende passará a homenagear a menina que se tornou símbolo nacional da luta contra a violência infantil após ser vítima de um crime de grande repercussão no Espírito Santo.
Na justificativa do projeto, o vereador sustenta que a denominação de equipamentos públicos, especialmente unidades de ensino, deve estar alinhada a valores éticos e pedagógicos. Ele argumenta que o nome atual remete a pessoa “diretamente envolvida em um crime de extrema gravidade, cuja repercussão histórica e social ainda causa dor, indignação e repulsa”.
Escola com nome Dante Michelini pode virar Araceli no ES
“O objetivo desse projeto de lei é promover justiça simbólica e memória histórica, homenagear a vítima, e não agentes ligados à violência, alinhar o ambiente escolar aos valores de proteção à infância, respeito à vida e dignidade humana e transformar a escola em um espaço de reflexão, consciência social e educação cidadã”, afirma Patrick.
Patrick da Guarda: “O objetivo desse projeto de lei é homenagear a vítima, e não agentes ligados à violência
Patrick da Guarda: “O objetivo desse projeto de lei é homenagear a vítima, e não agentes ligados à violência" Crédito: Lucas Santana/CMVV
O parlamentar também defende que a mudança é necessária para “corrigir uma inadequação histórica e moral” e evitar que a comunidade escolar conviva “com um nome associado a um crime violento”. Segundo ele, a proposta reafirma o compromisso do município com a educação, os direitos humanos e a proteção integral de crianças e adolescentes, em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Pelo projeto, caberá à Secretaria Municipal de Educação (Semed) adotar as providências administrativas para atualização do nome em registros oficiais, sistemas e sinalizações. A proposta agora será analisada pelas comissões da Casa antes de ir a plenário.
A mesma proposta foi apresentada na Câmara de Vila Velha, em 13 de junho de 2023, pelo vereador Welber da Segurança (União Brasil): "A alteração do nome da escola não fará justiça a Araceli, mas deixará seu nome e sua história sempre em evidência, além de evidenciar a importância da luta social contra a violência sexual infantil", justificou o parlamentar.

O CRIME QUE ASSOMBROU O ES

O projeto foi apresentado dias após acontecer a morte violenta de Dante Brito Michelini, de 76 anos, encontrado decapitado em um sítio em Guarapari na terça-feira (3).
O episódio trouxe novamente à tona um dos capítulos mais sombrios da história do Espírito Santo: o Caso Araceli. Dantinho, como era mais conhecido, foi um dos três acusados de raptar, estuprar e matar a menina de 8 anos em 1973.
Embora tenha sido absolvido pela Justiça em 1991 por falta de provas, seu sobrenome permanece ligado à memória do crime e a uma das principais avenidas da Vitória, em Camburi.
Apesar da associação feita ao longo dos anos, o nome do trecho na orla da Capital foi uma homenagem a Dante Michelini, empresário capixaba que foi avô de Dantinho e pai de Dante de Barros Michelini, investigados pelo assassinato de Araceli Cabrera Crespo.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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