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Leonel Ximenes

Estudante capixaba na Rússia conta como é viver a 100 km da Ucrânia

"Não tenho vontade de voltar e nem de ir pra outro país", diz Jiordano Lorenzoni, que deixou Marilândia, no Noroeste do ES, para estudar Química na Universidade de Kursk

Publicado em 03 de Março de 2022 às 02:09

Públicado em 

03 mar 2022 às 02:09
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Jiordano em Kursk, por onde tropas russas passaram a caminho da Ucrânia
Jiordano em Kursk, por onde tropas russas passaram a caminho da Ucrânia Crédito: Jiordano Lorenzoni
No final do ano passado, Jiordano Lorenzoni, de 19 anos, realizou um sonho: estudar na Rússia, onde faz o curso de Química na Universidade de Kursk, no interior do país, a 110 quilômetros da fronteira com a Ucrânia e a 520 quilômetros da capital, Kiev, distância equivalente de Vitória ao Rio de Janeiro.
Morador da tórrida Marilândia, no Noroeste do Estado, o jovem estudante passou em vários vestibulares no Brasil, mas a escolha dele foi mesmo a gélida Rússia, país que admira e que agora vive o pesadelo de sofrer sanções econômico-financeiras duríssimas, da Europa e dos EUA, por ter invadido o vizinho a Oeste.
 Jiordano, entretanto, que diz não sentir medo, mas apreensão e ansiedade, tem outra versão para os acontecimentos que estão mobilizando a opinião pública internacional desde quinta-feira passada (24/2), quando as tropas de Moscou começaram a invadir e atacar a Ucrânia. “Acho que a mídia está mostrando outra coisa, passando algo como se a Rússia fosse uma vilã, o que não é verdade”, pondera.
Para o estudante, está faltando imparcialidade na cobertura da imprensa, principalmente a ocidental: “Este conflito vem se estendendo por cerca de oito anos e o mundo vem se calando. Os russos vêm sendo massacrados no território das regiões separatistas há oito anos e o mundo se cala, mas de repente o mundo se voltou para a Rússia”, critica.
"Acho que a mídia está mostrando outra coisa, como se a Rússia fosse a vilã, o que não é verdade. Acho que guerra não é o caminho, mas todos os lados devem ser ouvidos"
Jiordano Lorenzoni - Estudante capixaba que mora na Rússia
Jiordano Lorenzoni passa uma outra visão do conflito, da “operação militar” russa, termo que diz ser mais adequado do que “guerra”. “Gostaria de ressaltar uma frase que venho ouvindo e com a qual concordo plenamente: ‘A Rússia não começou a guerra, mas sim a terminou’”.

As sanções econômicas e financeiras impostas à Rússia estão provocando desabastecimento ou corrida aos bancos em Kursk, sua cidade?

Por enquanto não, em Moscou chegou a acontecer corrida para os bancos durante a terça-feira (1º/3), mas aqui não teve.

Há clima de medo ou apreensão?

A gente sempre fica apreensivo e ansioso, mas medo não.

A segurança da sua cidade aumentou após o início da guerra? Há mais policiais ou outras forças de segurança nas ruas?

Sim, as medidas de segurança aumentaram, há maior número de soldados e policiais e monitoramento de entrada mais rigoroso em lugares, o que me faz sentir mais protegido.

Você sente medo ou insegurança?

Não sinto medo, mas insegurança sim, às vezes, principalmente em relação às sanções.

As comunicações continuam normais?

Sim, as comunicações continuam normais, mas o Twitter e o Facebook não estão funcionando plenamente.

Qual a visão do conflito que o governo russo está passando à população?

Pelo menos na minha opinião, o governo está passando que a situação está sob controle e que a operação [militar] é necessária.

Em algum momento, você se arrependeu de ter ido à Rússia para estudar? Está com vontade de voltar para o Brasil ou estudar em outro país?

Nunca. A Rússia está cada dia mais me abrindo portas, mesmo que o mundo esteja se fechando para ela. Acho que minha escolha foi certeira e estou onde devo estar, não tenho vontade de voltar e nem de ir pra outro país. Tudo que eu pensava da Rússia antes de vir se confirmou e reforçou minha vontade de ficar aqui.

No geral, qual a visão que a população da sua cidade tem da guerra? E a visão sobre Putin?

Primeiro é importante ressaltar que não estamos em guerra, acho que é mais uma operação militar do que uma guerra em si. As pessoas têm uma visão ruim sobre a guerra em si pois os russos sofreram demais com outras guerras. Vejo que com o passar do tempo a imagem de Putin vem se desgastando. Mas nada muito impactante.

Você mora a 100 km da fronteira com a Ucrânia. Teme que a guerra se amplie e sua cidade seja alvo dos ucranianos?

Não temo. Acho que a Rússia sabe o que está fazendo e fará o melhor para defender seu povo e seu território.

Há movimento de tropas na sua cidade?

Sim, o movimento agora diminuiu, mas nos primeiros dias foi mais intenso.

Qual sua sensação neste momento? Pensou em ter que passar por dias tão tensos?

Acho que vai ser uma história para contar para meus filhos no futuro, nunca achei que fosse passar por isso, mas cada experiência é válida.

Com as sanções financeiras e econômicas impostas à Rússia, como sua família vai conseguir meios para enviar auxílio financeiro para você continuar morando e estudando em Kursk?

Essa questão das sanções é o que mais preocupa na Rússia, mas estamos estudando e nos apoiando para conseguir alternativas. E estamos fazendo reservas para passar as próximas semanas.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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