Uma aluna do Ensino Médio de uma escola particular de
Vitória fez uma campanha interna que garantiu a arrecadação de 6,6 mil itens de higiene e autocuidado, como absorventes, papel higiênico e sabonetes. O material foi doado para mulheres que sofrem a chamada “pobreza menstrual”.
Laura Locatel, de 17 anos, estudante da Escola Monteiro, conta o quanto ficou impactada ao participar de uma ação social e perceber a reação de uma mulher ao receber um absorvente em meio a roupas doadas. “Ela ficou muito feliz quando viu o absorvente, até gritou”, lembra a estudante, explicando que este momento motivou a realização da campanha.
Estudo patrocinado por uma marca de absorvente em parceria com especialistas indica que, com as limitações financeiras, mulheres recorrem a alternativas como papel higiênico, roupas velhas, toalha de papel, jornal e até pão para sua higiene íntima. Esses métodos alternativos não são seguros para a saúde feminina, podendo gerar até infecções.
Essa situação explica a criação de um termo chamado “pobreza menstrual”, que já foi trending topics (mais comentadas) nas redes sociais e é tema de um documentário vencedor do
Oscar, em 2019
(“Absorvendo o Tabu”).
Além de ser uma questão séria de saúde, a pobreza menstrual afeta a confiança de meninas e mulheres e aumenta a evasão escolar.
Os itens arrecadados foram doados a organizações como a Casa Sociedade de Estudos Espíritas Irmão Tomé e o Serviço de Engajamento Comunitário (Secri). A campanha foi divulgada também no aplicativo e nas redes sociais da escola, que deu apoio à iniciativa da estudante.
No documento, o Unicef indica ainda que as meninas brasileiras também estão sob situação de grande vulnerabilidade envolvendo outros serviços básicos que são essenciais para garantir a dignidade menstrual: 900 mil não têm acesso a água canalizada em seus domicílios e 6,5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto.