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Leonel Ximenes

Falta de legista para liberar corpo de mulher assassinada causa revolta

Ausência de profissional especializado no Serviço Médico-Legal (SML) de Cachoeiro foi criticada por deputados da esquerda e da direita

Publicado em 16 de Dezembro de 2020 às 11:06

Públicado em 

16 dez 2020 às 11:06
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Segundo a Polícia Militar, ele sequestrou a mulher momentos antes do corpo ser encontrado
Jovem foi encontrada morta em estrada de Guaçuí: suspeita é de feminicídio Crédito: Divulgação Polícia Militar
A ausência de médico-legista no Serviço Médico-Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim, para liberar o corpo de uma vítima de assassinato, uniu os discursos do deputado Delegado Danilo Bahiense (sem partido), ligado à direita, e dos parlamentares Sergio Majeski (PSB) e Iriny Lopes (PT), filiados a siglas da esquerda, na manhã desta quarta-feira (16).
Bahiense citou que a unidade está sem médico-legista de terça até quinta. “Fomos acionados nesta manhã pelo deputado Sergio Majeski, solicitando ajuda para resolver um problema em Cachoeiro. Uma vítima de feminicídio, de Guaçuí, foi assassinada ontem (15) e o corpo estava no SML. Ontem não tinha médico, hoje não tem e amanhã também não terá”, lamentou o deputado.
O parlamentar, que é delegado aposentado, descreveu o sofrimento da família da vítima. “Então, essa senhora que foi assassinada ontem (15), se permanecesse em Cachoeiro, só teria o corpo liberado na sexta-feira (18), o que é muito lamentável. Hoje, só temos um auxiliar de perícia médico-legal no local. Já sugerimos ao governo que coloquem médicos da Sesa no SML. Para essa vítima ter o corpo liberado, a família bancou uma funerária para levar o corpo a Vitória, para os procedimentos.”
Majeski fez coro às palavras do colega. “Reforço cada palavra do deputado Danilo Bahiense. É uma vergonha que falte legista. Já é um sofrimento imenso para família o fato de acontecer o assassinato dessa moça. Deveriam ser ambientes altamente humanizados. E a família tem de pagar funerária para levar. É um descaso, é uma desumanidade”, protestou.
Iriny Lopes, por sua vez, disse que ninguém deveria estar sujeito a esse sofrimento e fez alusão ao feminicídio, visto que a vítima foi morta por esse motivo, segundo os parlamentares. “É um tipo de violência inaceitável. Ela não tem nem o tratamento e nem a dignidade de ter a autópsia, de fazer o seu enterro com dignidade. Mais um feminicídio no Estado do Espírito Santo”, denunciou a petista, destacando a importância da Medicina-Legal.
Quem também discursou foi Janete de Sá (PMN). “É mais um crime contra as mulheres. Somando 24 casos de feminicídio. Nós temos pouco número de médicos-legistas, mal remunerados. Eles [da perícia técnico-científica] são importantes para a elucidação de crimes. E a família ter essa atribuição no processo de celeridade choca muito a todos nós.” Segundo Janete, a vítima teria sido assassinada pelo marido.
Bahiense, Janete de Sá (no telão), Iriny e Majeski na sessão da Assembleia
Bahiense, Janete de Sá (no telão), Iriny e Majeski na sessão da Assembleia Crédito: Divulgação
Bahiense ainda trouxe outro triste detalhe do caso. “O pai da vítima, que estava em Cachoeiro para o trâmite, teve voltar a Guaçuí para buscar os netos e, então, se encaminhar para Vitória para fazer a liberação do corpo. Nós temos um número reduzido de médicos-legistas por causa dos baixos salários”, concluiu.
De janeiro a novembro, o Espírito Santo vem tendo redução nos casos de feminicídio. Nesse período, aconteceram 22, contra 30 de 2019. Uma retração de 26,67%.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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