Faltou uma senha, apenas seis números digitados. Por pouco, o cliente vip de um banco com agência em
Vila Velha não perdeu R$ 30 mil para uma golpista que se prontificou a “ajudar” a vítima a impedir que vários débitos fossem realizados em sua conta-corrente. Mas não havia débito algum - tudo era parte de um golpe quase perfeito.
Tudo começou com uma notificação bancária que apareceu no smartphone do cliente, informando-lhe que, no dia seguinte, vários débitos de supostas compras de produtos adquiridos no e-commerce seriam efetivados. O primeiro seria de R$ 1,8 mil.
A mensagem dizia que se o cliente não reconhecesse o débito, deveria ligar para um número de prefixo 0800. A vítima ligou, ficou ciente dos supostos débitos consecutivos e solicitou o cancelamento de todos eles. No outro lado da linha, uma mulher, bem articulada e muito gentil, se dizia do setor de segurança do banco e se prontificou a ajudar o cliente no processo de sustação das operações.
Ela disse que iria tentar fazer o cancelamento, mas, após cerca de oito minutos conversando com a vítima, informou que o sistema estava muito lento e pediu para o cliente abrir o aplicativo do banco para ela instruí-lo como proceder.
A golpista demonstrou conhecer todas as etapas do uso do aplicativo e até ter conhecimento do saldo da conta do cliente, que tinha apenas R$ 21. Ela orientou a vítima a fazer uma transferência de R$ 30 mil do seu cheque especial, via
pix, à suposta fraudadora, para depois ela estornar o dinheiro “no sistema”. O desavisado cliente fez quase toda a operação, supervisionada pela atendente, até que no final veio o pedido de senha para confirmar a operação.
Aí veio o estalo: o cliente percebeu que havia indícios de golpe, questionou a transferência via pix, e a atendente disse que tudo seria estornado pelo “sistema”. Desta vez não colou: a correntista se recusou a prosseguir com a operação, ligou para sua agência e foi avisada de que ele era o segundo alvo do dia da golpista. E foi informado que o banco não faz esse tipo de operação, muito menos pelo prefixo 0800.
Por pouco, seis números não iriam representar um desfalque de R$ 30 mil, no cheque especial, de um cliente de boa-fé. Mas desta vez o lado bom venceu.