Começou com apenas três; no ano seguinte, havia um a mais; agora, foram 11. O 3º Pedal da Fé, realizado entre 9 e 14 de janeiro, foi marcado por muita emoção e demonstração explícita de fé. O grupo, composto por nove capixabas do
Norte do Estado, um espanhol naturalizado brasileiro e um fluminense, percorreu exatos 1.063 quilômetros (47h20min de pedaladas), sob chuva e calor, de Guriri, em
São Mateus, até a Basílica Nacional de Aparecida, no interior de
São Paulo.
Foi a terceira edição do evento, que começou em 2020. “O nosso propósito é agradecer a Deus e à Nossa Senhora pelas graças alcançadas e pedir proteção”, diz Rian Carlos Ferreira dos Anjos, de 28 anos. Analista de qualidade, o morador de Sooretama, que participou pela primeira vez da romaria ciclística, tinha razões muito especiais para o ato de fé que exige muita preparação, determinação e condicionamento físico.
"Fui especialmente agradecer pela minha recuperação. Fiz três cirurgias no joelho, que tinha problemas nos ligamentos, meniscos e artéria”, conta. A experiência foi tão marcante para o católico Rian, que ele já está contando os dias para o 4º Pedal, que será realizado no início de 2023.
Do grupo de 11 ciclistas, havia três mulheres. O mais novo tem 28 anos e o mais velho, 64 (aliás, dois têm essa idade). No percurso, eles pararam no
Rio de Janeiro e foram visitar o Cristo Redentor. Antes, passaram por Niterói e pegaram a barca que faz a ligação com a capital fluminense, porque é proibido o tráfego de bicicletas na Ponte Rio-Niterói.
Não foi uma maratona fácil. Imprevistos surgiram ao longo de mais de mil quilômetros. O grupo enfrentou muita chuva e teve que parar a viagem para consertar pneus furados das bikes. “Foram pelo menos 20 vezes”, calcula Rian, que é ciclista de competição.
Segundo ele, o trecho mais difícil foi exatamente o inicial, o mais longo, de 240 quilômetros, percorrido sob chuva intensa entre Guriri e
Jaguaré. Outro momento de tensão foi quando uma ciclista passou mal, teve indisposição, foi socorrida, se recuperou e continuou a maratona.
Os 11 ciclistas tiveram o apoio de um carro que levava bagagens, equipamentos para bike e alimentos. O motorista desse veículo, quase no final do dia, adiantava a viagem para acertar a hospedagem dos romeiros em hotéis próximos.
A chuva intensa em alguns trechos e os pneus furados acabaram frustrando a expectativa dos ciclistas, que esperavam chegar à Basílica Nacional de Aparecida a tempo de participar da missa das 16h, mas não foi possível. Eles concluíram a viagem às 19h, passaram pelo santuário para fazer orações e fotos e no sábado e domingo tiveram a programação livre, inclusive para ir às celebrações de fim de semana.
O grupo retornou no domingo (16) em um ônibus de romeiros de Guriri que já estava previamente acertado para trazer os ciclistas de volta para o
Espírito Santo.
Rian dos Anjos diz que a demonstração de fé do grupo é a prova que a
Igreja Católica está viva, “apesar de ter gente que diz o contrário”, pontua. “É Deus nos abençoando, é Maria colocando seu manto para nos proteger.”