O anúncio surpreendeu muita gente: seis meses após assumir o desafiante cargo de secretário estadual da Segurança Pública (Sesp), o delegado federal Eugênio Ricas anunciou que está deixando o governo do Estado para assumir uma função na Interpol, na França.
Apontado como um natural sucessor do governador Renato Casagrande (PSB), a partir de 2027, Ricas no entanto afirma que ser o ocupante da cadeira número 1 do
Palácio Anchieta nunca esteve nos seus planos.
“Não sou candidato, nunca fui, nunca foi um desejo meu”, enfatiza Ricas, em conversa com a coluna na noite desta segunda-feira (12), quando estava se despedindo da sua equipe de trabalho na Sesp.
O delegado federal, que assumirá sua função na Interpol, na França, a partir de novembro, admite que há dois anos chegou a pensar em ser candidato a governador. “Na verdade, eu tive um flerte em 2022, mas foi muito mais por influência de alguns políticos do que por vontade própria. Nunca foi efetivamente um desejo meu ser candidato a governador”, afirma.
Ricas diz que o cargo de governador é “honroso”, mas considera que não está preparado para, por exemplo, exercer a função como o atual titular do palácio: “Admiro demais o trabalho que o governador Renato Casagrande faz e já falei para ele algumas vezes e me perguntei se eu seria capaz de fazer o que ele faz, de trabalhar o tanto que ele trabalha, e a resposta é sempre não.”
Embora reconheça que o trabalho na Secretaria de Segurança Pública dê muita visibilidade e exposição, principalmente se o secretário da pasta tiver objetivos políticos, o delegado federal reafirma que nunca teve ambição política de ser governador. “Não era meu objetivo ser governador e continua não sendo. Nunca fui filiado a partido político.”
Eugênio Ricas admite que seu cargo na Sesp o credenciava a postular a candidatura a governador: “Muita gente falava no meu nome. E isso talvez seja natural em razão da visibilidade e da exposição, mas eu não cogitava ser governador. A política é um instrumento civilizatório, a gente não tem como melhorar as coisas se não for através da política”, destaca.
O mandato do futuro secretário-geral da
Interpol, o brasileiro e delegado da Polícia Federal Valdecy Urquiza, é de cinco anos, período no qual Ricas pretende cumprir trabalhando na cidade francesa de Lyon, sede da instituição.
“Se tudo der certo, eu fico contribuindo com a gestão dele nestes cinco anos. É uma missão honrosa, estou muito animado e motivado. Sei do tamanho do desafio, é o primeiro brasileiro a chefiar a segunda maior organização internacional do mundo. Acho que a gente tem caminho para fazer um bom trabalho e ajudar na cooperação internacional.”