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Leonel Ximenes

Grande São Pedro sem água: e se fosse na Praia do Canto?

Região de maior vulnerabilidade social de Vitória sofreu com o desabastecimento durante mais de uma semana

Publicado em 07 de Março de 2022 às 02:11

Públicado em 

07 mar 2022 às 02:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Água potável é distribuída por carros pipa nos bairros da Grande São Pedro após falha no abastecimento
Água potável é distribuída nos bairros da Grande São Pedro após falha no abastecimento Crédito: Vitor Jubini
Não são necessárias sofisticadas teorias sociológicas para constatar que os pobres são os mais esquecidos e desprezados pelo poder público e pela sociedade brasileira. Sim, uma vasta literatura acadêmica, além das estatísticas, mostra isso. Mas não é preciso recorrer à teoria para ter certeza dessa vergonha. Aqui, na prática, bem pertinho de nós, os mais desfavorecidos também sofrem com o descaso e a indiferença de quem deveria olhar por eles.
Desta vez, estamos falando da região da Grande São Pedro, a de maior vulnerabilidade social de Vitória, a famosa Ilha do Mel (para quem?), que há mais de uma semana amarga o caos com a falta d’água em suas torneiras, justamente quando estamos passando por uma grave pandemia e pela mais forte onda de calor deste verão.
Desde o domingo de carnaval, dia 27 de fevereiro, há relatos de moradores desesperados com o desabastecimento na região. São imagens de torneiras, bacias e caixas d'água secas postadas, nas redes sociais, por pessoas cobrando um direito humano elementar: a água.
Agora, num exercício de imaginação, vamos nos transportar para o outro lado da Capital. Imaginem a Praia do Canto sem água durante uma semana! É difícil imaginar, né? Será que o governo do Estado e a Cesan suportariam a pressão da chamada parte “nobre” da cidade? O lado doce da Ilha aceitaria conviver com esse descaso? E por que os pobres são obrigados a suportar tamanha indiferença?
Inicialmente, houve uma troca de acusações entre a Cesan e a EDP, sobre qual seria a empresa responsável pelo colapso hídrico  na região - a causa chegou a ser atribuída a uma falha de energia elétrica no sistema. Nos últimos dias, o problema foi se agravando, a pressão aumentou, carros-pipa entraram em ação e, neste sábado à tarde (5), o governador Renato Casagrande (PSB) e a diretoria da Cesan (finalmente!) receberam líderes da Grande São Pedro e anunciaram uma série de medidas compensatórias e obras para tentar resolver o problema do desabastecimento.
Curioso é que o próprio governador admitiu, neste encontro, que a rica companhia de saneamento não estava, diríamos, “entendendo bem” o que estava acontecendo. A Cesan estava nadando em outras águas.
“Não havia, dentro da empresa, uma compreensão de que o sistema estava precisando de investimentos imediatos. Estão previstos, sim, no contrato de gestão, investimentos na região de São Benedito, Bairro da Penha, mas ali na região de São Pedro não tinha essa previsão de investimento. Mas o que aconteceu no mês de fevereiro e o que está acontecendo nesta semana mostraram efetivamente que havia um equívoco nesta direção, nesses locais de investimento.” As palavras são do governador.
A falta d’água em São Pedro, claro, também tem uma dimensão política. Nas redes sociais da região não é difícil constatar o embate de lideranças pró e contra o governo do Estado. Na quinta dia 3, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que não reza pela mesma cartilha de Casagrande, anunciou a abertura de um processo administrativo, via Procon municipal, que pode acarretar multa de até R$ 12 milhões à Cesan.
Aliás, é bom lembrar, a exploração política em torno da água por pouco não provocou a cassação do prefeito Daniel da Açaí, quando ele exercia seu primeiro mandato em São Mateus. Na ocasião, ele foi acusado de usar sua empresa de água mineral como moeda de troca eleitoral. O prefeito escapou por pouco, nos tribunais de Brasília, embora S. Exa. continue às voltas com o fantasma da perda do seu segundo mandato, acusado de outras irregularidades na sua gestão.
Mas voltemos à Cesan, empresa fundada em 1967 e que, como se apresenta em seu portal na internet, “nasceu da necessidade de atendimento à crescente demanda de serviços que (...) estavam a cargo do Departamento de Águas e Esgoto (DAE)”. Passados 55 anos, será que a empresa de saneamento do Estado está cumprindo sua missão?
Primeiro papa da Igreja Católica, São Pedro, ironicamente, tem fama de mandar chuva, mas no bairro que leva o seu nome, o santo não pode fazer milagres. E os moradores de São Pedro, na cidade mais importante do Espírito Santo, continuam entrando pelo cano - seco. Até quando?

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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