Se
Vitória hoje tem blocos consolidados, que tomam as avenidas do Centro, há 100 anos o cenário do
Carnaval era de surgimentos dos chamados “cordões”, que são os bloquinhos, e os “ranchos”, tipo de agremiação carnavalesca que deu origem ao que é visto atualmente com o desfile das escolas de samba.
Em 15 de fevereiro de 1923, uma quinta-feira, o Diário da Manhã, veículo oficial do
governo do Espírito Santo, noticiou como foram os dias de folia na Capital. Um dos destaques foi para os “prestitos”, grupos de pessoas que caminham juntos.
O periódico apontou que os carros alegóricos vistos nos ranchos não eram mais “aglomerados de miçangas e galões dourados”, havendo a interpretação de fatos ou de lendas mitológicas, obedecendo às puras regras da arte.
Os grupos carnavalescos desfilaram em áreas da cidade como o
Centro e, também, em Santo Antônio, como narra o jornal. O “Vamos de Qualquer Maneira", de Santo Antônio, foi descrito pelo periódico como integrado por uma alegre rapaziada que trouxe críticas sobre uma enchente que inundou a Serra e com o mau serviço prestado em estabelecimentos de Vitória – parece tão atual, né?
Na parte referente aos bailes, o antigo Club Victoria, da elite da época, ganhou destaque com a festa que varou a madrugada, embalada por uma animada orquestra.
O cronista de 100 anos atrás também se empolgou ao descrever as fantasias campeãs de olhares: ciganas, odaliscas, gueixas e outras completadas somente por adornos de girassóis.
O tempo passa, mas o Carnaval, na essência, é a mesma alegria e irreverência.
Observação: na folia de 1923, não havia indicação de nenhum bar ou boteco tendo de fechar mais cedo. Será que a sociedade da época era mais tolerante e animada? Cartas (elas resistem) para a redação.