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Leonel Ximenes

Historiador afirma que data de fundação de Vitória está errada

Professor garante que a capital capixaba não foi fundada em 8 de setembro de 1551, como dizem os livros didáticos

Publicado em 24 de Março de 2024 às 03:11

Públicado em 

24 mar 2024 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Data: 03/09/2019 - ES - Vitória - Avenida Beira-Mar - Fotografias para o aniver´sario de Vitória - Editoria: Cidades - Foto: Fernando Madeira - GZ
Avenida Beira-Mar, um dos símbolos de Vitória Crédito: Fernando Madeira
O historiador Estilaque Ferreira dos Santos, que tem doutorado em História pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutorado pela Universidade de Lisboa, em Portugal, e é PhD em História do Brasil, fez uma afirmação bombástica que promete mexer com a Historiografia capixaba. Segundo ele, Vitória, a capital do Espírito Santo, não foi fundada em 8 de setembro de 1551, como dizem os livros didáticos, mas em 15 de julho de 1537, portanto, 14 anos antes.
“Vitória foi fundada por Duarte de Lemos com a criação da Igreja de Santa Luzia, em 1537. A certidão de nascimento da Capital é o documento oficial em que o donatário do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho, doou a então ilha de Santo Antônio ao fidalgo Duarte de Lemos”, explicou Estilaque.
A revelação foi feita durante a primeira edição do Gandicast, programa apresentado pelo deputado estadual Fabrício Gandini (PSD) para ser transmitido no seu canal no Youtube. Gandini, que está no seu segundo mandato de deputado, também é estudante do 3º período do curso de História da Faculdade Multivix Vitória.
Estilaque Ferreira, historiador:
Estilaque Ferreira, historiador: "Estão comemorando o aniversário da cidade na data errada” Crédito: Wilbert Suave
“O primeiro documento que Vasco Coutinho assinou doando a ilha foi na data de 15 de julho de 1537. Vitória foi fundada neste dia! Estão comemorando o aniversário da cidade na data errada”, observa Estilaque, descartando a versão de que os portugueses venceram acirrada batalha contra os índios Goitacazes e, entusiasmados pela vitória, passaram a chamar o local de Ilha de Vitória.
Para comprovar a sua versão dos fatos, Estilaque apontou para a Carta Régia regulando a doação da Ilha de Santo Antônio a Duarte de Lemos por Vasco Fernandes Coutinho, datada de 8 de janeiro de 1549, e que foi publicada no livro “História da Câmara Municipal de Vitória: Os atos e as atas – A trajetória de uma das primeiras Câmaras do Brasil”.
" A nossa colonização ficou atrasada porque os olhos não estavam voltados para cá. Os portugueses só se interessaram quando viram que iam perder o território porque os corsários franceses já estavam aqui"
Estilaque Ferreira dos Santos - Historiador e professor
Segundo Estilaque, “Vasco e Duarte eram amigos, mas brigaram por causa da cidade de Vitória”. O historiador também afirma que os sucessores do donatário tentaram apagar a figura de Duarte Lemos. Por isso, o fidalgo não teve o mesmo destaque na História capixaba.
Para o pesquisador, foi determinante a chegada de Vasco Coutinho à capitania, mas “ele acertou no atacado, e errou no varejo”. Segundo Estilaque, ao escolher a região, o donatário optou por uma área que ficava bem no centro do território que ele recebeu do rei de Portugal, equidistante tanto do Sul quanto do Norte, como uma estratégia de defesa.
“Por outro lado, ele (Vasco) errou ao escolher o tão famoso quanto ele, Duarte de Lemos, para ajudá-lo na tarefa de defesa contra os índios, corsários franceses, ingleses e holandeses, e ao doar a ilha de Vitória para o fidalgo. Enquanto o donatário escolheu Vila Velha, Duarte de Lemos ficou com Vitória, um sítio geográfico mais adequado para a defesa”, explicou.
Por cerca de uma hora, Estilaque falou sobre pontos que são pouco conhecidos dos capixabas, como a dúvida do rei português, dom João III, se o esforço do país europeu, potência das grandes navegações, deveria se concentrar na África ou na Índia ou ainda nas duas regiões.
Estilaque no podcast do deputado Fabrício Gandini
Estilaque no podcast do deputado Fabrício Gandini Crédito: Wilbert Suave
“Vasco Coutinho voltou da Índia. E aí surgiu essa oportunidade de vir para cá. Mas os ricos de Portugal não se interessavam pelo Brasil. Estavam mais interessados na Índia, onde já se fazia fortuna com o comércio”, contou.
Se a tese do professor Estilaque prevalecesse, Vitória ficaria 14 anos “mais madura”, mas ainda sim seria dois anos “mais jovem” que a vizinha Vila Velha, cidade marco da colonização e onde os portugueses chegaram em 23 de maio de 1535.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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