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Leonel Ximenes

Histórias de Procon: frigobar de motel, fantasia de onça, celular da amante...

A rotina de um órgão de defesa do consumidor tem casos curiosos que às vezes parecem até ficção

Publicado em 21 de Maio de 2021 às 15:54

Públicado em 

21 mai 2021 às 15:54
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Todos os dramas e conflitos do consumidor vão parar nos Procons
Todos os dramas e conflitos do consumidor vão parar nos Procons Crédito: Amarildo
Os pequenos casos que serão relatados aqui, prezado leitor, não são “causos”. Apesar de curiosos e alguns até muito engraçados, são verdadeiros e aconteceram recentemente na rotina de um Procon do interior do Estado. Mostra, por outro lado, que o consumidor brasileiro está atento aos seus direitos - e é muito bom que seja assim, apesar de alguns, diríamos, exageros. Mas, afinal, o freguês tem sempre razão, certo?

O CONSUMO EM MOTEL

Uma consumidora levou seu gato a uma clínica para avaliação, pois o animal estava muito quieto e triste. Ao chegar ao veterinário, ela foi orientada a deixar o animal para avaliação médica especializada. Passados dois dias, a dona do pet retornou ao estabelecimento e foi informada que o gato estava no repouso após uma cirurgia de urgência, feita para retirada de uma pedra dos rins do felino. A conta veio na sequência da conversa: R$ 2 mil pela cirurgia. Aos prantos, a cliente foi buscar apoio do Procon, para solução da demanda.
Uma consumidora, toda animada, comprou uma roupa sexy de onça, para agradar o marido no Dia dos Namorados. Mas nem tudo ocorreu como a apaixonada esperava. Ao chegar em casa, o marido viu a mulher vestida de onça e “perdeu a vontade”, não conseguindo satisfazê-la de forma alguma, apesar das inúmeras tentativas. Insatisfeita e contrariada com o maridão, a moça procurou o Procon. A desiludida argumentou que passou por um grande constrangimento e que, por isso, queria devolver o produto com temática felina e reaver o seu dinheiro gasto na roupa.
Moderninha, antenada e querendo exibir publicamente seu lado mais "ecológico”, uma consumidora contratou um serviço de tatuagem. Optou pelo desenho de um simpático beija-flor. Mas (sempre tem uma mas), após o serviço concluído, ela percebeu que o desenho do pássaro não estava de acordo com o contratado, ficando parecendo mais com outro bicho de asas, um morcego, que é um mamífero. Resultado: a cliente contrariada foi procurar ajuda no Procon.
O marido procura o Procon, admite que tem uma amante e que deu a ela um aparelho celular, adquirido em seu plano em uma loja. O moço pede à esposa para retirar a segunda via da fatura, e quando ela chega na loja é abordada por um vendedor, oferecendo novo celular, uma vez que já passara a fidelidade do aparelho anterior adquirido. Desconfiada, a esposa perguntou ao vendedor o modelo, a data da aquisição e o número da linha. As informações foram passadas para a mulher enganada, que concluiu que estava sendo traída e ligou para o número informado (o da amante do seu marido). A titular da relação descobriu tudo; o casamento, não teve jeito, chegou ao fim, por traição. O marido, então, buscou o Procon para registro de reclamação e busca judicial de danos. Ele afirma que a empresa não poderia dar  informações para terceiros, no caso, a esposa traída.
Um consumidor foi várias vezes ao Procon pedir abertura de procedimento de fraude contra um banco. Segundo o reclamante, ele havia efetuado vários depósitos em sua conta, todos com valores expressivos, mas em seguida os valores desapareciam do seu saldo bancário. O homem chegava a apresentar vários comprovantes de depósito e extrato com saldo negativo, não constando os valores depositados. Os técnicos do Procon, intrigados, entraram em contato com o banco e descobriram o golpe: segundo a gerência da instituição financeira, esse consumidor já é velho conhecido por depositar envelopes vazios, e ainda indicando valores expressivos acima de R$ 15 mil, o que não caberia em um envelope.
Uma consumidora adquiriu pela internet um produto no valor de R$ 1 mil. Foram cinco garrafas de 1 litro, com promessa de tratamento para alcoolismo. A mulher, confiante no milagre rápido, tomou os cinco litros durante os 15 dias, conforme foi orientada, mas não deu certo. Segundo a moça, o produto não resolveu o problema e ela foi ao Procon, onde chegou totalmente embriagada, comprovando na prática a ineficácia do produto. Entre um soluço e outro, a enganada solicitou a restituição do valor pago, por propaganda enganosa.
Uma mulher estava no motel feliz da vida com seu parceiro, mas, ao fazer o check in, descobriu que teria que pagar por seis cervejas consumidas por ele. Ela, no entanto, se negou a fazer o pagamento, pois alegou que as bebidas estavam no frigobar e não foi informada de que  estavam ali para venda. A moça afirmou ainda que entendeu que tudo o que constava do frigobar estava incluído na diária. Diante da negativa do estabelecimento, ela não pensou duas vezes: do próprio quarto do motel, ligou para o Procon e solicitou o envio de uma equipe de fiscalização ao local.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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