Agosto e o segundo quadrimestre terminaram com uma boa e uma má notícia no índice de homicídios no Estado. A má: mesmo com a pandemia de
Covid-19 e o isolamento social, houve aumento de ocorrências em relação ao mesmo período do ano passado (critério utilizado pelo governo do Estado para a contagem). Mas há o lado bom: houve uma queda de casos em relação ao primeiro quadrimestre deste ano (janeiro a abril).
Aos números: o período entre maio e agosto deste ano teve uma alta de 8% dos assassinatos ante o mesmo intervalo do ano passado. Foram 297 casos em 2020, contra 275 de 2019. Em agosto último, houve o mesmo número de mortes do ano passado: 73 a 73.
A boa notícia é que houve uma redução de mortes violentas na comparação dos quadrimestres deste ano. O primeiro, marcado pela crescente na violência e pela troca na cúpula da
Segurança Pública capixaba, teve 441 casos – o período inicial de 2019 teve 363 mortes.
No meio da segurança pública, a razão para a queda de mortes entre os quadrimestres de 2020 tem patente, nome e sobrenome: o coronel da Polícia Militar
Alexandre Ramalho, que chegou em abril ao posto de secretário de Estado da Segurança Pública, em momento de pleno insucesso do seu antecessor, o delegado da Polícia Federal Roberto Sá.
Fatores como mais operações integradas e o isolamento social da população, cuja média foi de 46,8%, de 1º de maio a 30 de agosto, segundo o Painel Covid-19, ajudam a explicar a queda das ocorrências. Embora a retração tenha sido de 32,65% em relação ao primeiro quadrimestre, a conta ainda ficou salgada quando comparada à semelhante época de 2019 – e sem pandemia.
Alexandre Ramalho, que tem ido às ruas pessoalmente participar das operações policiais, tem um número já cravado na sua planilha: 65. Não se trata de uma quantia cabalista ou algo do tipo, mas sim a conta para não ultrapassar os mil homicídios neste ano. Atualmente, o Estado já conta 738 mortes (em 2019, eram 638).
Se nos próximos quatro meses se repetir a quantidade de 65 homicídios, o Espírito Santo acabaria o ano com 998 assassinatos. Em 2019, foram 984. Para referência do momento atual da violência capixaba, a média do último quadrimestre foi de 74 mortes/mês – e sob o comando de Ramalho e companhia.
Setembro, outubro, novembro e dezembro apresentam desafios sociais e sazonais para os gestores da segurança pública. Sociais, no sentido de que a pandemia chega a seu momento de redução de risco no maior bolsão populacional (
Grande Vitória) e com tendência natural de maior aglomeração, independentemente da classe social; e sazonais, uma vez que há feriados, saídas temporárias de presos e a chegada do verão, em situações nas quais, infelizmente, ocorrem mais assassinatos, comprovadas estatisticamente.
Em 2019, o último quadrimestre foi cenário de aumento de mortes, que só cessaram em abril. Os quatro meses finais do ano passado representaram 346 homicídios, ou seja, 35,16% - mais de um terço – de todos os assassinatos daqueles 365 dias.
A Região Metropolitana tem 439 dos 738 homicídios – 59,48% dos incidentes. E o município que mais se destaca negativamente é Vila Velha com 113 casos. Justamente nesse mesmo período, em 2019, havia um sentimento mais positivo, a partir dos 85 casos registrados. Isso significa um aumento de 32,94%.
A Serra também não fica para trás na escalada da carnificina humana. São 121 assassinatos contra 97. Cariacica tem uma situação semelhante, com 122 ocorrências, sendo que em 2019, até o presente momento, havia 97. Vitória é a única cidade da Região Metropolitana com queda na violência: 44 a 46.
Como nos últimos meses, a região Norte é a única com redução dos homicídios, tendo o placar atual de 131 incidentes contra 138 do último ano. As demais não têm motivos para comemorar. No Sul, 62 a 42; no Noroeste, 75 a 73; na Serrana, 31 a 26; e, por fim, na Grande Vitória o saldo é de 439 a 359.