A abertura da
62ª Campanha da Fraternidade pela Arquidiocese de Vitória, neste domingo (9), foi marcada por críticas da Igreja Católica ao projeto do
governo do Estado de exploração privada de seis parques estaduais. O governador Renato Casagrande (PSB) participou do lançamento da campanha promovida em todo o país pela Igreja Católica.
O assunto tem relação com o tema da campanha deste ano, que é Fraternidade e Ecologia Integral, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O projeto do secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, defende a concessão para exploração econômica dos parques Mata das Flores e Forno Grande, em Castelo; Paulo César Vinha, em Guarapari; Itaúnas, em Conceição da Barra; Pedra Azul, em Domingos Martins; e Cachoeira da Fumaça, situado entre os municípios de Alegre e Ibitirama.
No primeiro evento público com participação do novo arcebispo de Vitória, dom Ângelo Ademir Mezzari, o “Manifesto da esperança: não à privatização dos Parques Estaduais” foi lido ao final da celebração e entregue aos presentes no Ginásio Dom Bosco, na Avenida Beira-Mar, em Vitória.
Um dos trechos do manifesto afirma: “Queremos que nossos parques e reservas ecológicas sejam patrimônio de todos e todas e tais concessões apresentam um elevado potencial de destruição do nosso patrimônio natural”.
Recorre também à
Constituição Federal para destacar que o artigo 225 prevê que o meio ambiente deve ser de uso comum do povo e que todos/as têm direito a ele.
E encerra dizendo “não é justo que eles sejam tratados como mercadorias, explorados por grupos privados e que dificultem ou impeçam o acesso dos mais empobrecidos. Por isso, com este manifesto, alimentamos a esperança de que essas iniciativas sejam interrompidas imediatamente pelo governo do Estado”.
O documento foi inspirado na proclamação do Ano Jubilar em 2025, pelo papa Francisco, trazendo como base um texto bíblico de Levítico (“A terra não será vendida, pois a terra me pertence e vós sois para mim estrangeiros e hóspedes” (Lv 25,23), pelo qual o povo israelita foi orientado a praticar também um jubileu. Isso importava em dar descanso à terra e perdoar dívidas, por exemplo.