Em um cenário onde a Inteligência Artificial (IA) ainda é vista com desconfiança por muitos, o artista multimídia e fotógrafo Marcelo Moryan, um autodeclarado "apaixonado por
Guarapari", encontrou na tecnologia uma poderosa aliada. Ele está redefinindo os limites da criatividade e, ao mesmo tempo, criando uma nova e vibrante forma de publicidade para a cidade que tanto ama.
Moryan, que recentemente já havia declarado seu amor pela cidade com o lançamento do livro de fotografias "Nuances Guarapari", mergulhou de cabeça no universo da IA desde seu advento.
O que começou como experimentação rapidamente se tornou uma ferramenta para expandir sua já fértil imaginação. O reconhecimento de seu pioneirismo e talento veio em 2025, quando foi premiado com uma estatueta no Brasília Photo Show por uma imagem inteiramente construída com a tecnologia, um marco em sua carreira.
No entanto, para Moryan, o prêmio foi apenas o começo. Sua visão foi além: usar a IA para dar vida e movimento aos cartões-postais de Guarapari. Em uma série de vídeos, ele começou a subverter a realidade de forma lúdica e artística.
"A IA me abriu um leque de oportunidades para a criatividade. Eu vi nela uma forma de promover Guarapari de um jeito que ninguém nunca fez, tornando nossos ícones ainda mais relevantes ao trazer para o vídeo a curiosidade e a descoberta de quem vê", explica o artista.
Entre as suas criações, Moryan já fez a estátua de São Pedro, o padroeiro dos pescadores, andar sobre as águas da baía. Promoveu um encontro épico entre duas "celebridades" locais: a estátua do Marlin, na Praia do Morro, e o famoso Tigrão, da Ponte de Guarapari. Ele também viajou no tempo, recriando a atmosfera histórica do Poço dos Jesuítas.
A reação do público tem sido extremamente positiva, segundo o artista. Moradores e turistas compartilham os vídeos, surpresos com a nova perspectiva sobre lugares tão familiares. Para o artista, o impacto mais significativo de seu trabalho vai além do entretenimento.
"O que mais me emocionou nessa nova abordagem foi ver o orgulho dos moradores por seus ícones. Muitas pessoas viajam nas lembranças que esses lugares evocam. Foi o caso do vídeo com o Tigrão, que faz parte da história da cidade desde 1972. Resgatar essa memória afetiva não tem preço", afirma.
Enquanto o debate sobre o uso ético da IA e seu impacto no mercado de trabalho se intensifica, Moryan se posiciona: “Enquanto muitos usam a IA para motivos duvidosos, eu a estou usando como uma ferramenta para dar asas à minha imaginação”.