Janeiro começou de modo preocupante para
Vila Velha, na área da segurança pública. Foram registrados 22 homicídios dolosos no primeiro mês do ano na cidade mais antiga do Espírito Santo. Para efeito de comparação em perdas de vidas pela violência, durante a greve da
Polícia Militar, em fevereiro de 2017, aconteceram 30 assassinatos no município canela-verde.
A dimensão da onda da violência mostra a concentração dos atos criminosos na cidade. O Estado acumulou 96 homicídios no mês que se passou. Assim sendo, de cada cinco assassinatos em janeiro no
Espírito Santo, um foi em Vila Velha.
Em dezembro do ano passado, a cidade do
prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) registrou nove crimes contra a vida. Desta forma, o banho de sangue subiu 144% na comparação entre os meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022.
Além disso, há outro fator preocupante: a soma de ocorrências de novembro e de dezembro de 2021 nem chega a alcançar o mau resultado de janeiro – o número acumulado foi de 19 vidas perdidas nos dois últimos meses do ano passado.
No âmbito geral, o placar inicial de mortes violentas no Espírito Santo – 96, ao todo – traz algumas reflexões. Se de um lado há um aumento de 26,32% nos assassinatos, na comparação com dezembro de 2021 (76 registros), do outro há uma queda de 10,28% com janeiro do ano passado, quando aconteceram 107 homicídios dolosos.
A
Grande Vitória inicia o ano com um “empate técnico”. Até o momento, foram 48 registros fatais contra 49 do ano passado. Vila Velha tem o pior desempenho, com um aumento de 266,67% de vidas perdidas (22 contra 6), mas também há pontos de retração, que merecem destaque.
É o caso de Cariacica. Por lá, o município que conta com uma Guarda Municipal recém-formada acumula nove assassinatos contra 20 do ano anterior, o que leva a uma queda de 55%. Vitória também apresenta uma redução: até o momento, foram quatro ocorrências, ante seis do primeiro mês de 2021 – diminuição de 33%.
Como a coluna mostrou recentemente, Interlagos, em Linhares, segue convivendo com a triste média de aproximadamente um homicídio por mês nos últimos três anos. E, em 2022, um crime contra a vida no bairro se somou aos demais registros no município linharense.
Foram seis assassinatos no município do Norte contra quatro da mesma época de 2021. Destaca-se também o mau resultado de Aracruz, que não teve nenhum crime neste período do ano passado, mas agora já soma três casos.
Outra cidade que surpreendeu por resultados violentos foi Iúna. Assim como Aracruz, o município não tinha nenhum assassinato no ano passado, mas agora já acumula três.
Uma região que merece destaque inicial positivo é a Sul. Por lá, houve uma redução significativa das ocorrências: se foram 20 acumuladas em janeiro de 2021, agora foram cinco, perfazendo uma queda de 75%. Boa parte desses crimes se concentrou em
Cachoeiro, com três assassinatos.
No primeiro mês de 2022, foram assassinados 82 homens e 14 mulheres. O público feminino representou 14,58% do total das ocorrências. Até o presente momento, quinta-feira é o dia com mais crimes, com 18 incidentes. A faixa de horário com mais acontecimentos fatais foi a das 17h, com nove delitos.
Ponto Belo permanece como o município mais longevo a não contabilizar assassinatos no Espírito Santo. O último caso aconteceu em 25 de março de 2017, quando uma pessoa do sexo feminino foi morta no bairro de Lajeado. A cidade se aproxima da marca de ficar cinco anos sem quaisquer ocorrências letais.
Que o exemplo da pacata cidade do Noroeste inspire os demais municípios do Espírito Santo. Que assim seja!