O último dia de
Carnaval foi diferente e até surpreendente para dois amigos que foram a Guriri, em
São Mateus. Eles tinham a intenção de se divertir e relaxar, mas acabaram encontrando acúmulo de lixo, inclusive proveniente de outros países, e passaram horas recolhendo o material.
“Recolhemos garrafas de água mineral dos Emirados Árabes, da Venezuela e até da longínqua China. Foi o que conseguimos identificar de lixo internacional porque tinham embalagem legível”, conta o fotógrafo e ambientalista Lucas Knupp, que retirou o material na Praia do Bosque.
Lucas se diz surpreso com o achado: “Lembro que a última vez que vi lixo internacional foi na
Ilha de Trindade, para onde viajei no ano passado, mas desta vez fiquei surpreso de ver material semelhante aqui na costa do Espírito Santo”.
Além do lixo identificado pelo rótulo legível, os dois encontraram em Guriri pneus, garrafas plásticas de óleo de motor, óleo de soja, água e refrigerante, isopor, linhas de nylon, redes e cordas de pesca, lâmpadas de embarcação, caixas de suco, latas de aerossol e muitos fragmentos de plásticos diversos.
Por sinal, o acúmulo de plástico nos oceanos é tanto que o publicitário diz que encontrou rochas desse material que foram descobertas pela Ufes na viagem à Ilha de Trindade.
Ao final do dia, Lucas e seu amigo, José Luiz Zouain, frequentador de Guriri há mais de 40 anos, recolheram quatro sacos de lixo depositado irregularmente na Praia do Bosque.
“Suspeito que o descarte irregular ocorra por navios que se abastecem em seus portos de origem e despejam lixo no litoral do Espírito Santo”, diz Lucas, que ainda não sabe qual destino dar ao material retirado da praia mateense, se encaminha para o serviço de limpeza municipal ou a uma ONG ou organização que cuida desses resíduos.
“O lixo internacional nas praias é um problema crescente, especialmente no litoral brasileiro. De acordo com a ONG Ecomov, o volume de lixo internacional recolhido aumentou 453% nos últimos anos”, alerta o fotógrafo e ambientalista.