Dados da
Defensoria Pública Estadual apontam que 3.222 famílias, ou 9.087 pessoas, estão envolvidas em casos de conflito pela posse da terra em todo o Estado, tanto em áreas urbanas como rurais. Desse total, e em plena pandemia de Covid-19, 580 famílias (1.704 pessoas) já foram despejadas e 2.642 famílias (7.383 indivíduos) estão ameaçadas de perderem o pedaço de terra que ocupam. Município mais populoso do ES, a
Serra lidera, com folga, a maior parte de denúncias de conflitos.
O mais recente (o 3º) levantamento de conflitos possessórios no Espírito Santo foi realizado pelo Núcleo de Defesa Agrária e Moradia (Nudam) e pelo Grupo de Atuação em Remoções Compulsórias de Caráter Coletivo em Áreas de Proteção, Interesse Ambiental ou de Risco da Defensoria Pública (DPES).
O último relatório da Defensoria Pública do ES, entre outubro de 2020 e junho de 2021, apontava que 8.943 pessoas estavam sendo afetadas por conflitos de posse de terras.
As denúncias, registradas no período de outubro de 2020 até o começo de novembro de 2021, foram recebidas através de um canal aberto pela Campanha Despejo Zero ES, por meio do aplicativo Google Formulários. Até o momento, foram recebidas 56 respostas, representando casos de demandas possessórias que já ocorreram ou estão previstas para ocorrer. Todos esses casos já são acompanhados pela DPES.
O documento identificou que, dos 56 casos analisados (seis casos a mais em relação ao 2º relatório), 51 têm ação tramitando na
Justiça, ou seja, apenas cinco não ocorrem nos parâmetros judiciais. Destes casos, a maioria ainda ocorre em áreas de propriedade privada.
A maior parte das denúncias foi identificada na Serra, totalizando 17 casos, seguido de Vitória (7 casos), Vila Velha (5), Cariacica e Linhares (4 cada um), Guarapari e Conceição da Barra (3 cada um), Aracruz e Nova Venécia (2 cada um) e Anchieta, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Fundão, Marataízes, Marechal Floriano, Montanha, Ponto Belo e são Domingos do Norte, com 1 caso, cada.
Embora pesem as recomendações para as pessoas ficarem em casa e manter o isolamento social, o relatório da Defensoria Pública aponta que 48 famílias, ou cerca de 108 pessoas, já foram despejadas no período da
pandemia. Há ainda um número grande de famílias correndo risco de serem despejadas no Espírito Santo, totalizando 869 famílias, ou cerca de 2.064 indivíduos.