Apesar de jovem, Ricardo Passamani pode dizer que já experimentou, ou está experimentando, duas importantes vocações em sua vida. Aos 33 anos de idade, esse capixaba de
Conceição da Barra já trabalhou como médico, mas, no próximo dia 25, vai fazer uma entrega definitiva à sua vocação religiosa: sim, o atual diácono da Igreja Católica será ordenado padre na
Arquidiocese de Vitória.
Em entrevista à CBN, há quase seis anos, Passamani contou que exerceu a profissão de médico por um ano e meio e cursou seis meses de residência médica em
Infectologia. A partir daí, a mudança profunda em sua vida aconteceu quando decidiu seguir sua vocação e se tornar padre.
“É muito temporário o benefício que o médico produz na vida de uma pessoa e se eu fosse padre eu poderia chegar para essa pessoa e dizer: ‘fulano de tal eu te absolvo de seus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém. E aí podia dispensar todo mundo, cardiologista, infectologista. Não tem comparação. Foi isso que eu senti e me moveu a procurar o sacerdócio’”, explica Passamani, que será ordenado sacerdote com outros cinco diáconos da arquidiocese.
O diácono provisório (é essa a expressão usada pela Igreja Católica) conta que o desejo de ser padre ficou ainda mais forte após ler o livro “Por Que Ser Católico?”, do professor Felipe Aquino, ligado à Renovação Carismática Católica. Além disso, Passamani afirma que, durante o tempo que passou no
Hospital das Clínicas, em Vitória, lamentou nunca ter visto um sacerdote visitar um doente para dar a unção, “provavelmente porque há poucos padres, ou porque os doentes não os chamam”.
Após terminar a faculdade de Medicina, Passamani começou a trabalhar em um posto de saúde em Itaúnas, no
Norte do Estado. Na unidade de saúde, ele disse que no contato diário com as pessoas percebia que todas, ou a maioria delas, para completar seu tratamento, necessitava de algo que, na visão dele, só a religião católica poderia dar. O futuro sacerdote cita, por exemplo, o sacramento da confissão.
Percebendo essa necessidade espiritual dos seus pacientes, o jovem médico recorda que os encaminhava ao padre de Conceição da Barra pedindo que ele atendesse o doente em confissão. Esse sacramento, de acordo com Passamani, ajudava efetivamente na melhora espiritual e clínica das pessoas.
Passamani, aos 22 anos de idade, planejou casar-se com uma
evangélica, mas acabou desistindo por influência da sua mãe, que o despertou mais fortemente para o catolicismo, sua religião de batismo.
“Uma vez tendo me apaixonado, não por
Jesus Cristo de quem eu já era discípulo, mas me apaixonado pela Igreja por ele fundada, que era a parte que eu não conhecia, eu comecei a me dedicar demais ao estudo da doutrina da Igreja Católica. A religião foi tomando um espaço muito grande na minha vida”, lembra Passamani, em entrevista , em entrevista ao site da Arquidiocese de Vitória,
Daqui a pouco mais de três semanas, na Catedral de Vitória, toda essa bonita trajetória vocacional de Ricardo Passamani será coroada com sua ordenação sacerdotal . A partir daí, de certa forma, ele vai continuar a ser médico. Médico de almas.