Parece que a temporada de calor intenso no Noroeste do Estado carbonizou também as relações políticas. Em resposta a um vídeo do prefeito de Colatina,
Sérgio Meneguelli (Republicanos), o prefeito da cidade vizinha, Neto Barros (PCdoB), de Baixo Guandu, criticou violentamente o colega em um áudio ao qual a coluna teve acesso.
“O que ele [Meneguelli] faz é empobrecer ainda mais a política. Está querendo levar o povo simples no gogó. É o atraso”, sentenciou o comunista.
Tanta contundência começou num vídeo em que Meneguelli, em depoimento a uma pessoa não identificada, enfrenta uma fila para se consultar com um oftalmologista que atende pela rede pública de saúde em
Baixo Guandu, cidade que fica a 47 quilômetros de Colatina.
No vídeo da discórdia, Meneguelli faz aquele discurso que já lhe é característico, de que é um “homem do povo” e que também sofre com o atendimento público de saúde: “Olha o que é o SUS no Brasil”, critica o prefeito colatinense, postado no final de uma grande fila de pacientes, numa calçada.
Meneguelli, com a
camisa/uniforme “Eu Amo Colatina”, disse que estava esperando durante um ano e dois meses por uma consulta. “Hoje eu vim pra cá às oito horas, já são nove, e olha o tamanho da fila”, prossegue o prefeito colatinense na cidade vizinha.
Depois de continuar com seu discurso com críticas ao sistema público de saúde, Meneguelli diz que não aceitou furar a fila, como lhe foi oferecido, e, no final, é aplaudido por alguns dos presentes.
Mais tarde, em um áudio, Meneguelli tenta explicar as circunstâncias do vídeo. Ele diz que foi tudo espontâneo e esclarece que, “na verdade”, ele não foi a Baixo Guandu fazer uma consulta. “Quero esclarecer que a primeira consulta que fiz foi em Colatina porque aqui temos ótimos oftalmologistas. Porém, fui encaminhado para consulta de agendamento de cirurgia na cidade vizinha, o que é algo normal no SUS”, alegou o prefeito colatinense.
Meneguelli, em seguida, admite que a fila que enfrentou em Baixo Guandu tinha uma razão: “Na verdade, o que aconteceu foi um mutirão, porque tinha muitas cirurgias eletivas e, devido à pandemia, atrasou. Eu não estou tirando a vaga de uma pessoa que precisa, eu apenas estou sendo coerente”, afirmou. “Os políticos têm que usar a
saúde pública”, acrescentou.
Mas, a essa altura, a crise com o prefeito de Baixo Guandu já estava instalada. Em um áudio supostamente enviado a um interlocutor que mora em Colatina, Neto Barros, que está no final do seu segundo mandato, criticou violentamente o vídeo de Meneguelli: “Ele se esqueceu de mostrar o que fez pelo SUS e pela saúde pública nesses mais de 40 anos de atividade política”.
O guanduense não faz questão de ser diplomático em momento algum com o prefeito vizinho: “O que ele faz é empobrecer ainda mais a política, e olha que isso parecia impossível. Está querendo levar o povo simples no gogó. É o atraso”, acusou. “O povo aí [em Colatina] vai ter que trabalhar uns 20 anos ou mais para recuperar esses quatro anos de nulidade”, afirmou Barros em relação à gestão do republicano, que decidiu não se candidatar à reeleição.
O comunista disse ainda que Meneguelli “está se fazendo de populista, de salvador da pátria” e a seguir relacionou algumas das suas realizações: “Nós mudamos a cara de Baixo Guandu. E aí em Colatina?” questionou Barros no aúdio. E insiste na pergunta: “E aí, como deve estar? Espera só para ver o resultado de um mandato de prefeito de ‘faz de contas’”.
E para finalizar, Neto Barros suspirou: “Ah, se eu governasse Colatina, com uma iniciativa privada fortíssima, um município que é polo, que tem serviço público organizado, que é um grande provedor de serviços na área educacional e de saúde, com uma história importante… Meu Deus, eu faria essa cidade voar”.
A propósito: a temperatura nesta quinta (17) em Colatina chega aos 33 graus (à sombra); na vizinha Baixo Guandu, vai a 34. O Noroeste está fervendo.