O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraes afirmou nesta sexta-feira (11), durante palestra do 15º Congresso de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que as
fake news são ameaças às eleições. Para tentar evitar esse tipo de situação, servidores dos Tribunais Regionais Eleitorais, como o do Espírito Santo, têm recebido capacitação desde 2018.
Moraes demonstrou surpresa com a forma de organização e atuação das chamadas
milícias digitais. “O que mais me causou surpresa foi o profissionalismo das milícias digitais. Não tinha noção do extremo profissionalismo, tendo divisão de tarefas para alcançar determinados objetivos. Digo que foi uma cegueira coletiva, inclusive da imprensa tradicional, do que vinha acontecendo”, admitiu o ministro.
Alexandre de Moraes,que também é ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou ainda que “estávamos confundindo grupos de
WhatsApp com grupos de milícia que plantavam isso [fake news], que plantavam notícias que criaram. E com inúmeros robôs, que agora substituíram por pessoas, para burlar o sistema. Eles utilizavam a própria mídia para dar amplitude às notícias que plantaram. E conseguiram monetizar, tendo muito dinheiro envolvido. Um nível alto de profissionalismo. Um grande risco às instituições, um grande risco às eleições", alertou.
O ministro exemplificou que há ainda situação de lavagem de dinheiro, a partir das fake news, que pode voltar como doação para campanhas eleitorais em todo o Brasil. “O dinheiro lavado não é só para isso. Ele enriquece as pessoas que fazem isso, claro. Mas a lavagem de dinheiro [pela fake News] permite que se faça um exército midiático que pode influenciar negativamente o próprio equilíbrio democrático.”
Como forma de combater essa prática criminosa, Moraes defende que se atinja o órgão que dói mais no humano: o bolso. “Temos de ter um combate inteligente. Depois que a notícia fraudulenta é divulgada, você não consegue mais pará-la. Ela sempre vai ter a capacidade de ferir a dignidade da pessoa. O que devemos fazer é evitar. E dar punições muito graves, muito duras. Aqui o que vale mais é pena pecuniária. O órgão mais sensível do humano é o bolso. O potencial das fake News é quatro, cinco vezes maior do que a da notícia tradicional. Lida com o preconceito das pessoas. Já são determinadas para o que os grupos acreditam num determinado tipo de preconceito.”
Desde 2018, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) têm recebido capacitação promovida pelo TSE. Além disso, os representantes das redes sociais estão se colocando à disposição para o combate justamente na ponta, onde acontece a disseminação das fake news. Na última quinta-feira, juízes eleitorais do
Espírito Santo, Brasília e Goiás participaram de uma reunião virtual com Facebook, Whatsapp e Twitter para conhecer as medidas adotadas por essas ferramentas no combate à desinformação.
Twitter e Facebook, segundo apurou a coluna, já manifestaram que terão tecnologias de
inteligência artificial para identificar e bloquear esse tipo de profusão de mensagem que pode ser danosa para as eleições. Os TREs prometem estar muito atentos ao que os candidatos compartilharem, principalmente se for falso, havendo responsabilização por esse delito.
No final das contas, vai valer ao eleitor também fazer suas checagens e não cair nas primeiras mensagens que se espalharem em aplicativos e nas redes sociais.