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Leonel Ximenes

Mistério: o que faz um Opala SS raro parado há meses no HPM?

Veículo, que tem 46 anos, tem chamado a atenção no estacionamento do Hospital da Polícia Militar. A coluna descobriu o motivo

Publicado em 04 de Dezembro de 2021 às 02:09

Públicado em 

04 dez 2021 às 02:09
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Opala 1975, do coronel e médico reformado da PM, Otávio de Carvalho Sobrinho, 80 anos
Opala SS 1975, ainda com placa amarela, do coronel e médico reformado da PM Otávio de Carvalho Sobrinho, de 80 anos Crédito: Fernando Madeira
Na época, vivíamos os estertores do regime militar; o presidente era Ernesto Geisel, o penúltimo general da ditadura; mas, em contrapartida, o Brasil queria respirar e se mobilizava pela volta das liberdades democráticas.
Estávamos em 1975, ano de fabricação de um Opala que, misteriosamente, está estacionado há cerca de quatro meses no pátio do Hospital da Polícia Militar (HPM), em Bento Ferreira, Vitória. Mas o que faz essa raridade de automóvel lá? A coluna foi atrás, descobriu tudo e passa a contar esta história - movida a paixão, entrega e dedicação.
O dono do veículo é o coronel-médico reformado da PM Otávio de Carvalho Sobrinho, de 80 anos de idade. Ele conta que, em 1975, ele foi à concessionária Vessa, em Vitória, viu o carro e se apaixonou logo por ele. O problema é que o Opala modelo esportivo SS já estava reservado para a então proprietária da loja, Zuca Coser.
A empresária, no entanto, sabendo do desejo do militar, acabou abrindo mão do carro e o vendeu para ele. “Tenho até hoje a segunda via da nota fiscal de compra e as notas de manutenção. Guardo tudo numa pasta”, conta, empolgadíssimo, o coronel reformado.
Não obstante ser um carro raro pelo tempo de fabricação (46 anos), o Opala tem, por assim dizer, serviços prestados ao Espírito Santo. O coronel Otávio relata que foi a bordo do veículo que ele procurou um terreno para construir o HPM.
Opala 1975, do coronel e médico reformado da PM, Otávio de Carvalho Sobrinho, 80 anos
O Opala tem placa amarela, mas não pode circular porque está sem o Renavam Crédito: Fernando Madeira
“Estava no Opala quando localizei a área. O SPU (antigo Serviço do Patrimônio da União) me indicou um terreno em Bento Ferreira, que foi liberado para a Polícia Militar três anos depois pelo presidente Geisel, uma vez que era localizado em terreno de marinha”, lembra o militar, primeiro diretor do hospital, cuja pedra fundamental foi lançada em 1982 e inaugurado dez anos depois, em 1992.
Entre idas e vindas, o Opala já foi utilizado até em serviços pesados, como se fosse uma caminhonete no sítio em que o coronel passa parte da semana, em Guarapari. O carro chegou a ficar abandonado, o militar teve outros automóveis, mas ele nunca se desfez da raridade, apesar das investidas de interessados.
Ele diz que muitas pessoas já o procuraram para comprar o veículo, mas o coronel avisa que não se desfaz da raridade de jeito nenhum. “Inclusive fui procurado por colecionadores de carro, gente que tem mais de 40 veículos na garagem. É um carro de muita estima. Se eu fosse vendê-lo, optaria por um leilão, mas decidi que vou doar para alguém da família”, antecipa o coronel que é casado, mas não tem filhos.
Por insistência deste colunista, ele arriscou um preço de mercado para o Opala de quase cinco décadas de história. “Não sei dizer o valor, mas acho que é alto, em torno de R$ 50 a R$ 60 mil, mas tenho que conversar com quem entende do mercado”, pondera o médico, que tem outros três carros - uma Fiat Strada (nova), uma caminhonete S10 e um Mondeo já meio veterano.
O Opala já esteve em condições mais precárias, mas o coronel contratou um mecânico que o recuperou e o deixou em condições de uso. Mas há um problema de ordem burocrática que impede o veículo de circular: ele tem placa amarela e acabou perdendo o registro no Renavam.
Como carro de colecionador, o Opala poderia também ter a placa cinza, mas o militar precisa antes reaver o registro nacional, o que, segundo ele, é um processo lento e burocrático. Nos próximos dias, o militar diz que pretende levá-lo de volta à garagem do prédio onde mora, na Praia de Santa Helena, também na Capital.
O coronel-médico ficou na Polícia Militar de 1966 a 1997. Falante, bem-humorado e simpático, ele afirma que não bebe, não fuma e tem o IMC (Índice de Massa Corporal) normal para a sua idade. Ou seja, é forte como o Opala do seu coração.
A idade avançada, aliás, nunca foi obstáculo para que o coronel realizasse seus sonhos. Um deles foi fazer o curso de Direito, concluído em 2012, aos 71 anos de idade, numa faculdade particular de Vitória.
Opala 1975, do coronel e médico reformado da PM, Otávio de Carvalho Sobrinho, 80 anos
Detalhe do volante do esportivo SS Crédito: Fernando Madeira
Como ele preza a tradição (a paixão pelo Opala está aí como prova), coronel Otávio mudou de opinião e agora se diz monarquista convicto: “Deixei de ser republicano”.
Opala 1975, do coronel e médico reformado da PM, Otávio de Carvalho Sobrinho, 80 anos
Coronel Otávio até hoje guarda a nota fiscal do Opala comprado há 46 anos Crédito: Fernando Madeira
Aproveitando os pendões monárquicos do coronel, essa bela história pode ser resumida num brado: “Independência, paixão e vida!”

Esportivo marcou a vida de muitos apaixonados

O Opala foi apresentado no Brasil em 1968, mas foi em 1970 que a famosa versão esportiva apareceu, marcando a vida de muitos apaixonados por carros: o Opala SS. Chegava com um sobrenome já bem conhecido nos EUA desde 1961. Modelos como Chevelle e Impala já tinham essa versão mais nervosa SS, segundo o site especializado Notícias Automotivas.

A Chevrolet apresentou em 1970 o Opala SS, inicialmente na versão sedan. Vinha equipado com o aclamadíssimo motor 4.1 litros de seis cilindros em linha, com nada menos que 171 cavalos de potência e 32,5 kgfm de torque, associado a um câmbio manual de quatro velocidades.

O visual do Opala SS era intimidador e apaixonante ao mesmo tempo, o modelo vinha com faixas pretas duplas no capô, o logo “SS” ao centro da grade que ganhava contorno cromado e uma faixa preta também com a insígnia SS nas laterais do modelo.

O Opala SS ainda poderia vir em cores bem chamativas para reforçar ainda mais seu lado esportivo, como tons de amarelo, vermelho e até mesmo prata.

As rodas do Opala SS eram sempre exclusivas e tinham desenho mais invocado do que as versões “normais” do Opala. No interior, o Opala SS tinha um volante de tamanho exagerado para os dias atuais que combinava com os tons escuros da cabine, e o conjunto mecânico que dava um show em termos de refinamento.

A velocidade máxima do Opala SS era de 200 km/h, e para que tal mágica fosse feita, a Chevrolet adicionou um carburador de corpo duplo e comando de válvulas esportivo, para deixar o Opala ainda mais nervoso.

Mas com a crise do petróleo assombrando a Chevrolet e os consumidores de modo geral na primeira metade dos anos 1970, a marca se viu obrigada a trocar a motorização por algo que consumisse menos do combustível fóssil. Em meados de 1977 a Chevrolet apresenta o Opala SS4, uma versão mais “mansa” do tradicional esportivo nacional.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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