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Leonel Ximenes

Modelo francês pode ajudar a despoluir rios capixabas

Experiências que são sucesso no Rio Sena podem ser adaptadas à realidade do Espírito Santo

Publicado em 05 de Julho de 2025 às 03:11

Públicado em 

05 jul 2025 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Linhares - Rio Doce, em Regência, poluído pela lama da barragem da mineradora Samarco
Foz do Rio Doce, em Linhares, poluída pela lama que veio da barragem da mineradora Samarco Crédito: Fernando Madeira
Você sabia que ao lado do Rio Sena existem lagos criados especialmente para “guardar” a água da chuva e devolvê-la ao rio em tempos de seca? Ou que o governo francês faz um “censo dos peixes”, com câmeras que filmam cada animal que sobe o Rio Sena? Essas e outras soluções de engenharia e preservação ambiental estão transformando um dos rios mais famosos do mundo — e podem ajudar a recuperar os rios capixabas, como o Rio Doce.
As experiências foram apresentadas na Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (PSD). Os ambientalistas Fábio Medeiros e Alberto Pêgo, idealizadores do movimento internacional River Planet, trouxeram detalhes sobre o que deu certo no Sena e o que pode ser adaptado à realidade do Espírito Santo.
Os dois solicitaram apoio público para a expedição. Na França, eles pretendem que o governo capixaba assine um protocolo de cooperação para formalizar esse intercâmbio.
A 2ª Descida Ecológica do Rio Sena será realizada entre os dias 20 de agosto e 17 de setembro, na França, como parte de uma expedição técnico-cultural para celebrar os 200 anos de relações entre os dois países. Em dezembro, uma ação semelhante será feita no Rio Doce, já prevista na agenda do River Planet, para comparar métodos e propor soluções.
Pêgo já navegou os 800 quilômetros do Rio Sena, num caiaque, da nascente até a foz, durante um mês, em 2013. Agora, 12 anos depois, a equipe vai realizar uma nova descida do Sena, para observar as estratégias de recuperação adotadas no rio francês que podem servir de exemplo para os rios capixabas, em particular neste contexto das mudanças climáticas.
Durante o projeto serão realizados debates e seminários que vão ocorrer antes, durante e depois da descida do Sena, com a presença de canais de TV, jornal, rádio e com a realização de webséries, além de entradas ao vivo nas redes sociais diretamente da França.
Uma das principais estratégias adotadas no Sena envolve o controle de enchentes e secas com a criação de canais de alívio e lagos artificiais de armazenamento.
“Quando o nível do Sena sobe, o excesso de água é desviado por um canal de 13 km até um grande lago florestal. Esse lago inunda durante a cheia e, na estiagem, a água é devolvida ao rio por gravidade, sem bombeamento”, explicou Pêgo.
Imagem do Google Street View do canal em concreto que leva o excesso de água do Rio Sena, na França, para o lago de estocagem
Imagem do Google Street View do canal em concreto que leva o excesso de água do Rio Sena, na França, para o lago de estocagem Crédito: Google Street View
E emendou: “É uma engenharia simples, eficaz e replicável aqui, com ainda mais facilidade, porque nossos rios nascem a altitudes mais altas e têm quedas maiores.”
Outro exemplo é a instalação de passagens equipadas com câmeras, onde os peixes migratórios são filmados, fotografados e contados. “Eles têm o controle total das espécies que sobem o rio. É um dado científico com tecnologia acessível, que pode ser trazido ao Espírito Santo com baixo custo”, completou.

RIOS NAVEGÁVEIS

O ambientalista também destacou que, enquanto o Sena é totalmente navegável por grandes embarcações, o mesmo já foi possível em rios como o Santa Maria da Vitória e o Jucu, que hoje sofrem com degradação.
O coordenador do River Planet, Fábio Medeiros, explicou que o movimento será oficialmente lançado em Paris, com o objetivo de envolver o mundo na defesa dos recursos hídricos. “Vamos lançar o River Planet como um movimento mundial. E o Espírito Santo será o ponto de partida. Tudo começa na água — e quem está defendendo os rios? Nós estamos.”
O deputado Fabrício Gandini reforçou a importância da cooperação. “O Rio Sena é um case de sucesso, e o Rio Doce, com o investimento que vai receber, tem tudo para seguir o mesmo caminho".
Para o diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, a troca de experiências pode beneficiar os dois lados. “O Sena tem características semelhantes ao Rio Doce em extensão e importância. Mas também temos aqui soluções que podem interessar aos franceses, como o sistema de alerta do Itapemirim e o Reflorestar. É uma via de mão dupla”, observou.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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