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Leonel Ximenes

Morre, aos 104 anos, a mulher que adoçava Vila Velha

Discreta e muito religiosa, ela por décadas confeccionou bolos, tortas e doces para gerações na cidade

Publicado em 20 de Junho de 2024 às 03:11

Públicado em 

20 jun 2024 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Mulata comemorando seus 100 anos de idade
Mulata comemorando seus 100 anos de idade Crédito: Divulgação
Ela era conhecida carinhosamente por Mulata. A meiga Mulata. Zilma Rodrigues, também tratada por Dedei pelos muito próximos, morreu nesta quarta-feira (19), aos 104 anos de idade, numa casa de repouso onde morava em Vila Velha.
A doce Mulata - parece premonição - fez também dos doces uma vocação. Nascida em 10 de maio de 1920, em João Neiva, mudou-se na década de 1940 para morar numa casa de família no Centro da cidade.
Neste ambiente, durante muitos anos, viveu e ajudou a criar os seis filhos da professora Maria Julieta Menegaz Pereira com o ferroviário Mário Pereira. Nas horas vagas, se dedicava a fazer bolos, doces e tortas avidamente consumidos por gerações de noivos e aniversariantes de Vila Velha. Festa boa, na cidade, era festa que tinha o doce feito por Mulata.
Fora do ambiente familiar, Mulata, sempre discreta, amiga e meiga, era frequentadora assídua das atividades litúrgicas e comunitárias da igrejinha do Rosário, na Prainha, e do Santuário do Divino Espírito Santo, no Centro, onde vendia bolos em prol da própria igreja. 
Aliás, Mulata participou ativamente das campanhas para angariar recursos para a construção do imponente templo católico, inaugurado em 1967, e da restauração da imagem do Sagrado Coração de Jesus.
Foi também ministra da eucaristia por muitos anos, participou do Conselho Paroquial, foi dirigente do Apostolado da Oração e da Legião de Maria e atuou em diversas outras pastorais da Igreja Católica.
Embora não fosse uma religiosa consagrada, a trajetória de Mulata foi muito semelhante à vida discreta e silenciosa dos beneditinos, que têm como lema a expressão latina ora et labora (reza e trabalha).
Mulata recebendo a visita de amigas
Mulata recebendo a visita de amigas Crédito: Divulgação
Nada mais fiel que isso: solteira e sem filhos, Mulata era uma autêntica monja, na prática, embora, diferentemente dos religiosos da ordem católica, não fosse contemplativa. Era uma inspiração para gerações de canelas-verdes.
“Era uma pessoa mansa, humilde e muito ativa tanto na comunidade como no Apostolado da Oração. Foi ela que abriu o livro de ouro para pagar o altar-mor [da igrejinha do Rosário], no valor de R$ 130 mil na época, e os três altares mais embaixo, cujo valor não me recordo. Ela foi uma grande força”, atesta a aposentada Maria Cassaro, moradora da Prainha e amiga de Mulata.
"Sentimos a tua ausência, mas temos a certeza de que tens a alma de paz e o amor no coração. O que tinhas para realizar aqui o fizeste plenamente, por isso Deus te quis ao seu lado. Agradecemos a Ele pela convivência que tivemos contigo. Tenha a certeza de que sempre te amaremos e jamais te esqueceremos"
Amigos de Mulata - Em texto feito em homenagem a ela 
O corpo da centenária doceira será velado nesta quinta-feira (20) de manhã na Funerária Zelo, no Centro de Vila Velha, e será sepultado no começo da tarde no Cemitério de Santa Inês. 
A doceira Mulata partiu para sentir de perto a doce presença de Deus.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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