Desde janeiro passado, a militância bolsonarista tem perdido força e está reduzida a uma “bolha” de apoiadores. A análise é do
pós-doutor em Comunicação e diretor da empresa de pesquisa AP Exata, o capixaba Sergio Denicoli. “Essa militância já não consegue ultrapassar essa barreira, mesmo com a atuação de perfis de interferência que defendem o bolsonarismo nas redes, como robôs, perfis fakes e adeptos). Essa 'bolha', entretanto, ainda é muito grande, com milhares de seguidores. Bolsonaro ainda é um presidente popular", ressalta Denicoli.
Segundo o analista, quando se analisam menções com o termo
"Bolsonaro", nota-se que a popularidade apresenta tendência de baixa, em comparação com o ano passado. “Ao mesmo tempo, ao observarmos as hashtags mais utilizadas, notamos que a grande maioria delas é positiva para o governo”, observa.
Isso, de acordo com Denicoli, explica o fato de o presidente Bolsonaro ter convocado as pessoas a irem às ruas, no próximo domingo, e por ter mencionado ontem (9), novamente, a questão da redução do ICMS dos combustíveis, provavelmente como forma de tentar atrair motoristas de aplicativos e caminhoneiros para as manifestações.
“Percebemos claramente uma ação coordenada para o dia 15. No entanto, avaliamos que o desgaste para o governo ocorrerá, independentemente de a manifestação lotar ou não as ruas. Se lotar, é um sinal de guerra acentuada contra o Congresso, em um momento de crise, onde a votação das reformas administrativa e tributária é imprescindível. Se as ruas não lotarem, é sinal de um governo que está se enfraquecendo”, destaca.
A expectativa, pela análise de redes, é a de que a manifestação tenha volume, porém seja menor que em protestos anteriores. “O movimento deve atrair os adeptos, uma vez que as discussões continuam dentro da bolha dos apoiadores mais fiéis ao presidente”, prevê Denicoli.
O monitoramento da AP Exata, que começou em janeiro do ano passado, início do governo Bolsonaro, mostra que em 2020 houve uma queda expressiva nas menções positivas ao presidente da República e, consequentemente, um aumento das negativas. Fevereiro último foi o mês em que as abordagens desfavoráveis a ele foi maior. O auge das citações positivas a Bolsonaro aconteceu em março do ano passado.
Os dados foram monitorados no Twitter em 145 cidades brasileiras. No Espírito Santo, a pesquisa analisou os movimentos na rede social de internautas da Grande Vitória e de Linhares e Cachoeiro, no interior.