Muitas mulheres no Espírito Santo pedem proteção por serem vítimas de violência vinda de onde menos se espera: dos seus próprios filhos, causa de 7% das medidas protetivas solicitadas por elas à
Defensoria Pública Estadual entre maio de 2020 e outubro de 2021.
Pelo levantamento do órgão, maridos ou companheiros das vítimas lideram a estatística com 46,9% das denúncias de violência; e 46% são parentes, namorados ou possuem algum tipo de relação próxima com a denunciante.
É uma rotina de agressão que atingiu a alma e o corpo de Bruna (nome fictício para preservá-la), que após 12 anos de união estável, passou a conviver com um companheiro violento e um dia a dia de ameaças, agressões, violência patrimonial e humilhações públicas. Como resultado da violência a que foi submetida, ela teve um dedo quebrado e precisou fugir de casa com a filha, mas não sem antes ser perseguida pelo ex-companheiro.
Bruna é uma das 363 mulheres vítimas de violência que buscaram a Defensoria Pública do ES durante o período que coincide com a
pandemia de Covid-19, para garantir medida protetiva contra seus agressores. Lembrando que esse é apenas um dos canais disponíveis na instituição para solicitação.
O serviço está disponível no site da Defensoria Pública (
www.defensoria.es.def.br) desde 2020. No ato da solicitação, as mulheres preenchem uma breve pesquisa que permite às defensoras públicas traçarem um perfil das vítimas, a relação com os agressores, os tipos de violência sofrida, entre outros.
A violência psicológica (93%) é a agressão mais frequente, segundo a pesquisa, seguida da moral (54,8%). A violência física aparece em 41% dos casos, a patrimonial em 17,5% e a sexual em 7,9%. De acordo com a coordenadora de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres, Maria Gabriela Agapito, as agressões acontecem em uma espécie de escalada, quando a vítima é submetida a uma violência quase imperceptível até culminar com algo mais grave, como a morte da vítima.
O município com o maior índice de requerimentos de medida protetiva foi a
Serra, com 55 registros. Vila Velha aparece em segundo lugar, com 39, em terceiro Cariacica, com 35, seguido por Vitória, com 32 registros. No interior do Estado, a liderança é de
Cachoeiro de Itapemirim, com 11.
Das 363 que buscaram medidas protetivas, apenas 100 mulheres registraram a ocorrência policial, enquanto que 211 não o fizeram e as demais não responderam. No ato de solicitação da medida protetiva no site da Defensoria Pública, apenas 51 anexaram o documento ao pedido.
Mesmo que não registrem boletim de ocorrência na delegacia, as mulheres podem solicitar a medida protetiva de urgência. Isso porque a medida tem caráter autônomo e independe de representação criminal, amparado pela
Lei Maria da Penha.