Arquiteto da candidatura de Weverson Meireles supera adversários e sai fortalecido para voos mais longos adiante
Publicado em 27 de Outubro de 2024 às 19:04
Públicado em
27 out 2024 às 19:04
Colunista
Leonel Ximenes
lximenes@redegazeta.com.br
Sérgio Vidigal comemora primeiro lugar de Weverson no primeiro turno na SerraCrédito: Fernando Madeira
À primeira vista, o vencedor da eleição para a Prefeitura da Serra é, por óbvio, o até pouco tempo desconhecido Weverson Meireles (PDT), que derrotou Pablo Muribeca (Republicanos) e vai comandar o mais populoso município do Espírito Santo pelos próximos quatro anos. Mas o arquiteto dessa grande vitória não teve seu nome inserido nas urnas: é o prefeito Sérgio Vidigal, o pedetista que levou a tríplice coroa no pleito de 2024.
A começar pelo óbvio: Vidigal elegeu um “poste”, termo que, no jargão político, designa aquele candidato que não tem tradição nem história política relevante, mas que, por ter um padrinho político poderoso, acaba se saindo vencedor nas urnas.
E com todo o respeito, Weverson ainda é um poste, assim como foi Dilma Rousseff ao ser presidente duas vezes ungida pelo seu criador, o presidente Lula (PT).
Se o epíteto incomodar ao jovem futuro prefeito da Serra, vai um consolo: ele terá os próximos quatro anos para mostrar que é uma criatura ainda melhor que seu criador e que pode andar com suas próprias pernas, sem precisar da ajuda de um líder popular e bom de voto.
A vitória de Vidigal, entretanto, não se limitou a fazer o seu sucessor na prefeitura. Como conquista acessória, ele ainda viu seu maior e histórico rival no município, Audifax Barcelos (PP), ficar surpreendentemente fora do segundo turno. Uma grande surpresa, haja vista que o ex-prefeito serrano liderou as pesquisas de intenção de voto até as vésperas do primeiro turno.
Vidigal, assim, se redime da humilhante derrota que sofreu para o próprio Audifax em 2016, em uma virada histórica no segundo turno. Na época, no auge da campanha, Audifax, que tentava a reeleição, teve um sério problema de saúde que quase o levou à morte, chegou a ser desenganado pelos médicos, se recuperou e atropelou e venceu o adversário na reta final.
Curiosamente, a exemplo de Weverson, Audifax também ingressou na política como criatura de Vidigal. Mais tarde, ambos se tornaram ferozes adversários políticos e passaram a se alternar no comando da Serra.
A VITÓRIA SOBRE A DIREITA
A terceira coroa de Vidigal foi conquistada ao presenciar seu candidato derrotar o condomínio formado pela direita e pela extrema direita na Serra, expresso na candidatura do deputado estadual Pablo Muribeca.
O atual prefeito serrano é um político de centro, que faz concessões eventuais à esquerda por causa da tradição trabalhista do PDT, embora Weverson, seu pupilo eleito neste domingo (27), tenha mostrado ser um candidato conservador que ofereceu ao eleitor um cardápio temperado com pitadas de fundamentalismo religioso cristão, o que não deixa de ser preocupante.
Entretanto, em relação ao desempenho da direita e da extrema direita no segundo turno na Serra, é preciso fazer algumas ponderações. O aparente gosto da derrota, se bem digerido, pode se transformar na vitória de um novo polo de poder.
Sim, estamos falando de 2026, quando será escolhido o sucessor do governador Renato Casagrande (PSB). E depois de quase três décadas, o município com a maior população do ES passa a ter um novo conglomerado político fora dos muros delimitados por Audifax e Vidigal.
A direita e a extrema direita, que se uniram no segundo turno em torno de Muribeca, saem fortalecidas para as eleições de 2026, principalmente com a reeleição de Lorenzo Pazolini (Republicanos) em Vitória. Ainda mais que Casagrande, que não poderá concorrer à reeleição daqui a dois anos, não tem um candidato “natural” a ser ungido.
A propósito, Vidigal, robustecido pela maiúscula vitória do seu pupilo na Serra, pode se credenciar para ser o candidato do atual governador, mas tem um problema: o pedetista ficará os dois próximos anos sem mandato e não se tem certeza da disposição pessoal dele para encarar essa maratona, haja vista que ele mesmo desistiu de concorrer à sua reeleição na Serra.
Portanto, as urnas não consagraram apenas um vencedor neste 27 de outubro. Afinal, quem não concorreu também pode cantar a vitória e até quem perdeu, pode ter perdido ganhando.
Postes que carregam luzes que iluminam também podem provocar acidentes. É preciso saber usá-los, quando preciso, e contorná-los com habilidade e competência nos próximos anos, em caso de necessidade.
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.