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Leonel Ximenes

“Não há evidência científica para reabertura de shoppings”, critica especialista

Pesquisadora e epidemiologista da Ufes, Ethel Maciel afirma que o governo não levou em consideração dados técnicos para permitir a volta desse tipo de comércio

Publicado em 31 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

31 mai 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

A pós-doutora em Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel, em entrevista à TV Gazeta
Ethel Maciel: "É desaconselhável abrir shoppings com o Rt (velocidade de transmissão) acima de 1" Crédito: Reprodução / TV Gazeta
“É uma mensagem que eu acho extremamente perigosa neste momento em que muitas pessoas poderão perder suas vidas.” O alerta é da professora Ethel Maciel, pesquisadora e epidemiologista da Ufes, que criticou a decisão do governo do Estado de permitir a reabertura dos shoppings a partir desta segunda-feira (1º), em meio à pandemia do novo coronavírus.
Segundo Ethel, locais de aglomeração, como shoppings e escolas, deveriam ficar fechados até que houvesse uma diminuição da aceleração da curva de contágio da doença. “É desaconselhável abrir shoppings com o Rt (velocidade de transmissão) acima de 1. Atualmente estamos em 1,7. É extremamente desaconselhável e proibitivo o retorno escolar com o Rt acima de 1. Com esse nível, deveríamos ter apenas serviços essenciais em funcionamento”, defende.
A decisão do governo de flexibilizar o funcionamento dos shoppings, ainda que com restrições de horário de funcionamento e com adoção de medidas de segurança de higiene, veio em hora errada para a epidemiologista. “Isto significa que pode aumentar o número de pessoas que vai se contaminar e morrer. Ainda estamos no início deste aumento do número de mortes que estamos observando nas duas últimas semanas.”
Os shoppings, lembra Ethel, pressionaram o governo outras vezes para retomar a atividade. “Este não foi o primeiro movimento dos shoppings para abrir. Em todos os outros movimentos nós, pesquisadores, nos posicionamos contrariamente à reabertura porque na verdade não é apenas a questão do cliente que vai ao shopping. Em apenas um shopping da região metropolitana de Vitória temos a movimentação de mais de 5 mil trabalhadores”, afirma.
Ela lembra que esses trabalhadores do comércio, incluindo o pessoal da limpeza e da segurança, terão que sair de suas casas e se arriscar todos os dias no ônibus: “Eu já havia colocado isso na Sala de Situação [do governo do Estado]. Sempre achei que as decisões precisam ser pensadas do ponto de vista global. Como essas pessoas, principalmente as mulheres, as maiores cuidadoras das casas, vão fazer? Como as mulheres trabalhadoras que têm filhos pequenos vão fazer se não têm escolas e creches abertas?”.
Ethel diz que teme pela saúde dessas crianças com a volta das suas mães ao trabalho neste momento da pandemia. “Como professora de Enfermagem, já vi muito isso acontecer. Nos bairros de classe social D e E, mulheres pagam uma outra mulher para cuidar dos filhos em locais que são totalmente inapropriados para receber crianças. Geralmente uma vizinha vai cuidar de muitas crianças. Essas crianças ficarão em locais vulneráveis e insalubres e sujeitas ao risco de contaminação”, destaca.
Outra questão apontada por ela é o perigo do uso do transporte coletivo, que, segundo a pesquisadora, é local de grande contaminação. “Há muitas outras questões envolvidas na abertura desses locais que movimentam muitas pessoas. Não se trata apenas da segurança dos clientes. Ninguém está falando das pessoas que trabalham nesses locais. São as pessoas que vão ter que pegar os coletivos, os ônibus, que são locais de grande transmissão da doença. Como a gente vai garantir a segurança dessas pessoas?”, questiona.
"Neste momento, não há argumento científico que sustente essa abertura dos shoppings, porque nós estamos ainda no momento de aceleração de casos de contaminação"
Ethel Maciel - Professora, pesquisadora e epidemiologista da Ufes
A previsão atual, que já era bastante desconfortável, agora pode ser superada e o quadro de mortes pela Covid-19 no ES se agravar, segundo a professora: “A gente já previu que até a segunda quinzena de junho nós já vamos estar com o sistema em colapso e ter mais de mil mortes, considerando que a gente não ia mudar nada o que tinha acontecido até então. Imagina mudando tudo, colocando mais pessoas para se mover na cidade”.
Ethel Maciel considera que a flexibilização do funcionamento das atividades dos shoppings pode passar um quadro irreal para a população em relação ao coronavírus. “Há uma terceira questão importante que é a mensagem que passa para a sociedade, de que está tudo bem, que a vida está voltando ao normal, que os shoppings estão abertos e podem vir. É uma mensagem que eu acho extremamente perigosa neste momento em que muitas pessoas poderão perder suas vidas”, alerta.
A pesquisadora da Ufes diz que a Covid-19 é a doença que mais está matando no Brasil neste ano. E propõe medidas para enfrentar a pandemia: fechar o máximo de atividades e garantir o isolamento para reduzir a velocidade de transmissão da doença; e depois, com o Rt abaixo de 1, iniciar o plano de abertura das atividades econômicas. “Qualquer coisa diferente disso está longe de ser considerada e embasada pela ciência”, conclui.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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