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Leonel Ximenes

Necrotour: agência lança passeios turísticos em cemitérios no ES

Esse tipo de modalidade turística atrai milhares de pessoas em cidades no Brasil e no exterior

Publicado em 16 de Janeiro de 2026 às 03:15

Públicado em 

16 jan 2026 às 03:15
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Cemitério de Santo Antônio em Vitória
Escultura no Cemitério de Santo Antônio em Vitória Crédito: Fernando Madeira
A história revelada pelo silêncio. A data ainda não foi definida, mas deve acontecer na primeira quinzena de fevereiro o primeiro necrotour do Espírito Santo. Esta modalidade de turismo cultural leva o público a fazer uma visita guiada dentro de um cemitério para conhecer histórias reais que marcaram o Estado e a sociedade.
Segundo Michele Dórea, idealizadora do city tour e proprietária da Michele Turismo, agência virtual de Vila Velha, o primeiro cemitério no roteiro é o mais tradicional do Estado e da capital capixaba.
“Nossa ideia inicial é o Cemitério Municipal de Santo Antônio, em Vitória, por ser um dos cemitérios mais tradicionais e históricos da Capital. Ele foi aberto em 1º de maio de 1912 e tem muitas histórias curiosas”, destaca a empresária.
"É uma experiência voltada para quem ama história, cultura, curiosidades, fotografia e turismo diferente. É um passeio respeitoso, com foco em conhecimento e memória, não no 'terror'"
Michele Dórea - Empresária e idealizadora do 1º Necrotour do ES
Para quem tem dúvidas em relação ao caráter dessa modalidade de turismo, Michele tranquiliza e explica como são organizadas as visitas tumulares.
“O necrotour, ou necroturismo, é uma modalidade de turismo cultural e histórico em que o cemitério é visitado como um verdadeiro ‘museu a céu aberto’, valorizando memória, arquitetura funerária, símbolos, histórias reais, personagens marcantes, curiosidades e o contexto histórico e social de uma cidade. É um passeio feito com total respeito ao local e às famílias, com foco em história, patrimônio e educação cultural”, destaca.

NO BRASIL E NO MUNDO

Michele lembra que esse tipo de tour já existe em várias cidades do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, e é extremamente comum em outros países, onde cemitérios históricos são visitados inclusive como pontos turísticos tradicionais.
Túmulo do compositor polonês Frederic Chopin no Cemitério Père-Lachaise, em Paris
Túmulo do compositor polonês Frédéric Chopin, um dos mais visitados no Cemitério Père-Lachaise, em Paris Crédito: Leonel Ximenes
Ela enumera alguns locais famosos: “Exemplos conhecidos estão em Paris, na França, no Cemitério Père-Lachaise; em Buenos Aires, Argentina, no Cemitério da Recoleta; em Londres, no Reino Unido, no Cemitério Highgate; nos Estados Unidos, no Arlington National Cemetery, em Washington; e em Viena, na Áustria, no Central Cemetery (Zentralfriedhof)”.
O primeiro necrotour do Espírito Santo, pondera Michele, terá um grupo reduzido, com cerca de 20 a 30 participantes: “Exatamente para manter um passeio organizado, silencioso e respeitoso”.
O passeio ao cemitério será comandado por uma pessoa responsável pela condução histórica (um guia/historiador), apresentando aos visitantes o contexto histórico do local e da cidade, incluindo curiosidades sobre túmulos, símbolos e lápides, histórias de personagens e famílias tradicionais, arquitetura e arte funerária.
O valor do primeiro necrotour, provavelmente em Santo Antônio, ainda não foi definido porque o city tour está sendo estruturado. Em relação aos aspectos legais da iniciativa, Michele informa que os contatos estão sendo feitos.
“Apesar de ser um cemitério municipal aberto ao público, por se tratar de um tour guiado em grupo, estamos verificando e buscando todas as autorizações necessárias com a administração do cemitério e os órgãos responsáveis, para garantir que tudo seja realizado dentro da lei e com total respeito”, diz a proprietária da Michele Turismo.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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