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Leonel Ximenes

Nem sete vidas salvam os gatos que desafiam a Cesan

Somente em 2025, empresa estima que cerca de 72 bilhões de litros de água tenham sido desviados por meio de ligações clandestinas na área de concessão da empresa, no Espírito Santo

Publicado em 26 de Janeiro de 2026 às 03:11

Públicado em 

26 jan 2026 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Funcionário da Cesan trabalha para restabelecer a ligação regular de água que estava sendo desviada em um sítio na localidade de Cachoeirinha, Guarapari
Funcionário da Cesan trabalha para restabelecer a ligação regular de água que estava sendo desviada em um sítio na localidade de Cachoeirinha, Guarapari Crédito: Cesan/Divulgação
Presente em milhões de lares brasileiros, o gato costuma ser sinônimo de companhia e afeto. Fora do universo dos pets, porém, o nome ganha outro significado, muito menos simpático: fraude no abastecimento de água, popularmente chamado de “gato de água”.
Somente em 2025, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) estima que cerca de 72 bilhões de litros de água tenham sido desviados por meio de ligações clandestinas. Esse volume seria suficiente para abastecer 1,9 milhão de pessoas durante um ano.
Em razão dessas irregularidades, a empresa deixou de arrecadar aproximadamente R$ 418 milhões, valor que poderia ter sido investido na modernização e ampliação dos sistemas de abastecimento. Na Região Metropolitana, os “felinos” ilegais consumiram cerca de 64 bilhões de litros de água.
O problema é estruturante: os desvios representam mais de 40% do volume produzido para cidades como Guarapari, Fundão, Vitória, Serra, Cariacica, Viana e Vila Velha. Em alguns bairros, cerca de 70% dos imóveis têm ligações irregulares, evidenciando a dimensão da fraude e a urgência de fiscalização e conscientização da população.

PRÁTICA CRIMINOSA

Ágil e silencioso, o “gato de água” desvia um recurso essencial que já foi captado, tratado e distribuído, prejudicando quem paga corretamente e comprometendo investimentos em melhorias do sistema. No Brasil, a prática é crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com pena de um a quatro anos de prisão e multa.
Para conter a fraude, a Cesan intensificou o monitoramento, a fiscalização e a regularização das conexões, além de ampliar o uso de tecnologia para identificar e eliminar ligações clandestinas. O objetivo é proteger um bem essencial à vida humana e garantir que a água chegue até quem paga pelo serviço.
Em operações recentes, técnicos retiraram diversas ligações irregulares das tubulações oficiais, mostrando que o problema persiste e exige vigilância constante. E, de acordo com a companhia, ligações clandestinas também são flagradas em condomínios de alto padrão, chácaras, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais, entre outras unidades - também conhecidos como “gatos de raça”.

LIGAÇÕES CLANDESTINAS EM GUARAPARI

Há pouco mais de duas semanas, a Cesan descobriu uma série de ligações clandestinas no bairro Cachoeirinha, em Guarapari. A água era desviada para restaurantes, sítios e até áreas residenciais, prejudicando o abastecimento de clientes regulares e causando desabastecimento na Cidade-Saúde em plena temporada de verão.
A empresa reforça que a colaboração da população é fundamental, porque no fim das contas, enquanto o “gato” bebe água limpa, as torneiras de quem paga ficam secas.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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