Um prédio com quase 1,5 mil metros quadrados, construído para sediar o polo de Ensino à Distância (EaD) de uma instituição de educação superior, está sendo reformado em regime de mutirão por servidores municipais para sediar, a partir desta segunda-feira (29), o Centro de Atenção a Pacientes com Covid-19, em
Barra de São Francisco.
Desde sexta-feira pelo menos 100 servidores, de diferentes Secretarias, inclusive titulares das pastas, trabalham incansavelmente para, em 72 horas, deixar tudo pronto, só parando para cumprir o toque de recolher que vive a cidade em função do agravamento da pandemia provocada pelo coronavírus.
O município vive dias dramáticos para controlar a explosão de casos de Covid-19: oito pessoas morreram entre as 7h de sábado (27) e 7h deste domingo (28), projetando um crescimento superior a 50% de todos os casos registrados desde março de 2020, quando começou a pandemia no Estado, a fevereiro deste ano. No final de sábado, a cidade atingiu a marca sinistra de 100 mortos na pandemia, mas na manhã deste domingo o número já chegava a 105.
O prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD) decretou situação de emergência e calamidade na saúde pública e desde quarta-feira (24) a cidade está em lockdown com toque de recolher das 20h de um dia às 6h da manhã do dia seguinte. O decreto vale até a manhã desta segunda-feira, mas o prefeito poderá renová-lo a pedido dos profissionais de saúde.
Na manhã deste domingo, enquanto servidores trabalhavam para finalizar as obras do centro de acolhimento, o prefeito disparou por um aplicativo de mensagens um pedido dramático: “Estamos precisando de camas de hospital, para comprar ou alugar, com muita urgência. Ajude-nos aí nessa tarefa e mande mensagem que mandamos buscar”.
O secretário municipal de Saúde, Gustavo Lacerda, que também é o vice-prefeito e está na coordenação da parte operacional do enfrentamento à Covid, explicou como vai funcionar o centro de acolhimento. “Vamos transferir o atual centro de atendimento para esse novo local. Temos uma média de atendimento de 150 pacientes de Covid por dia. A ideia da internação é começar com 30 leitos para aqueles pacientes que estão precisando de reabilitação, e não para aqueles que precisam de internação hospitalar.”
E explicou a estratégia: “É o paciente que precisa ser reidratado e tomar as primeiras medicações para que fique ali no máximo dois dias, com monitoramento médico e da equipe de enfermagem, para que não passe daquele estágio e não vá para o agravamento, chegando no hospital com 70% a 80% do pulmão comprometido, como tem acontecido. Hoje o paciente é diagnosticado com Covid, fica em isolamento em casa, piora e não vai para o hospital com medo. Então, acontece essa tendência”, lamenta.
Sobre o grande número de mortes na cidade, o secretário também explicou o que está acontecendo: “Os pacientes intubados em UTI têm, estatisticamente, sobrevida de 50%. Se ficar intubado em enfermaria, essa probabilidade piora. Estamos com muitos óbitos porque temos muitos pacientes graves. Estávamos no sábado com 23 pacientes intubados, então, a tendência é morrer a metade, infelizmente. Esse número alto está dentro da média. Está morrendo porque tem muitos pacientes graves”, constata.
A reforma da antiga faculdade para sediar o centro de atenção aos pacientes com Covid é uma das formas encontradas pela prefeitura do Noroeste do Estado para dar suporte às vítimas da
Covid na cidade. O prédio estava abandonado desde 2018 e foi ocupado pela prefeitura, por meio de um acordo de cessão celebrado com o empresário franqueado da Uniube – Universidade de Uberaba, pólo de Barra de São Francisco.
A edificação tem 11 salas que eram usadas como salas de aula, uma sala maior que era a biblioteca e uma dependência reservada para auditório. Toda essa estrutura está sendo recuperada e será adaptada para acolher as pessoas.