O beijo mais famoso da História será relembrado nesta Quinta-feira Santa, dado por Judas Iscariotes em Jesus, mas a sessão desta quarta-feira (13) da
Assembleia Legislativa foi marcada pela lembrança de uma data bem mais pagã, o Dia do Beijo, tema do discurso do deputado neogovernista Luciano Machado (PSB).
Pouco antes de encerrar sua explanação e de ganhar um beijo do deputado Torino Marques (PTB) (“beijo hétero”, como ressalvou o discípulo bolsonarista), Machado foi aparteado pelo colega Hércules Silveira (Patriota), que desabafou ao microfone, em tom de ironia: “É bom lembrar que depois de amanhã, sexta-feira, é o beijo do Judas”. E Dr. Hércules, já fora do microfone, complementou: “Tem uma porção de Judas aqui na Assembleia”.
Luciano Machado deu uma gargalhada, e o deputado Capitão Assumção (Patriota), fora do vídeo, disse: “Essa vai para o Ximenes”. E veio mesmo. Afinal, não é todo dia que um parlamentar do alto da experiência de Hércules Silveira desabafa publicamente neste tom. E por que a referência ao traidor de Cristo? Aos fatos.
Por pouco, muito pouco mesmo, Dr. Hércules não ficou sem um partido para concorrer à reeleição em outubro. Ele foi um dos muitos caciques que abandonaram
o moribundo MDB capixaba, mas teve uma imensa dificuldade em ser aceito em outra legenda partidária.
O parlamentar tentou até uma filiação eletrônica no
PSB nacional, mas a direção do partido do governador Casagrande, no Espírito Santo, veio a público avisar que ele não tinha lugar na chapa de candidatos. Hércules chegou a pedir ajuda até ao governador, mas ficou na mão.
Outros partidos também fecharam as portas para o deputado de quatro mandatos consecutivos, com uma linha de argumentação muito parecida: ele é bom de voto, vai ser reeleito e poderia prejudicar as demais candidaturas históricas das suas respectivas legendas.
Para Hércules, que passou uma verdadeira via-crúcis na política nos últimos dias, a traição veio bem antes do beijo de Judas em Jesus. E, por enquanto, sem perdão.