Coincidência ou relação direta? As estatísticas da
Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp) não deixam dúvidas: nos primeiros dez meses de 2021,as cidades onde foram apreendidas mais armas são as mesmas onde foram registrados mais homicídios. A conexão armas-letalidade já fica evidente no município da
Serra, líder em registro de assassinatos neste ano (117) e na estatística de apreensão de armas: 433.
O ranking macabro tem na segunda posição
Vila Velha, que até outubro contabilizou 116 homicídios e 414 armas apreendidas pelos agentes de segurança pública. Cariacica, que apesar de ter ficado 28 dias sem registro de assassinatos, tem as mesmas 116 ocorrências de Vila Velha, figura na terceira posição em relação às armas apreendidas - 332 em dez meses.
Curiosamente, a partir dos três líderes nas estatísticas de armas/homicídios, as conexões mudam.
Linhares, por exemplo, município que está em quarto lugar no ranking de assassinatos em 2021 (68 casos), perde até para Vitória e Cachoeiro no número de apreensões de armamentos.
A Capital tem 55 homicídios registrados (quinto lugar no ES), mas figura em quarto na retirada de armas de circulação: 272. A maior cidade do Sul do Estado, por sua vez, está em quinto no ranking estadual de apreensão, o maior índice do interior: 220 registros. A violenta Linhares tem 169 armas apreendidas - sexta posição do Estado e segunda do interior.
Pelas estatísticas da Sesp, nos dez primeiros meses deste ano foi registrado um aumento de 8,7% na apreensão de armas no
Espírito Santo em relação ao mesmo período de 2020. Até outubro, foram retirados de circulação 1.299 revólveres, 910 pistolas, 535 espingardas, 262 metralhadoras, 260 armas caseiras, 209 garruchas, 172 simulacros de arma, 49 carabinas e nove fuzis, um verdadeiro arsenal de guerra.
Um fator que chama a atenção são as 260 armas caseiras contra 172 simulacros apreendidos em 2021. Isso pode indicar, segundo um especialista consultado pela coluna, que os bandidos estão utilizando mais armas feitas no quintal, pelos chamados armeiros, do que as falsas, que não têm poder letal.
O secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, considera fundamental a apreensão de armas como meio eficaz de combate à criminalidade: "O desafio estabelecido para a redução dos homicídios passa estrategicamente pelas apreensões das armas de fogo, visto que 80% desses crimes ainda são cometidos com esses instrumentos. Continuaremos trabalhando forte contra traficantes e homicidas, que o tempo todo fomentam confrontos armados, com lamentáveis resultados de mortes".
Sobre a apreensão de mais um fuzil neste ano no Estado (o 10º do ano), nesta sexta-feira (19), Ramalho destacou a letalidade dessa arma: "São armas importadas, com um poder de perfuração e impacto absurdo, nas mãos de jovens inconsequentes, irresponsáveis e extremamente violentos. Aterrorizam as comunidades de vulnerabilidade social e confrontam-se com nossos policiais. Sempre quero parabenizar nossos policiais, que desenvolvem um excelente trabalho para retirar armas ilegais de circulação".