Em 1876, o deputado Clímaco Barbosa, irmão do jurista Rui Barbosa, propôs na Assembleia Provincial do Espírito Santo que as escolas fossem mistas, com meninos e meninas estudando juntos. A reação dos colegas foi imediata: a ideia foi chamada de imoral, absurda e desvirtuante.
Clímaco fez um longo discurso defendendo a emancipação feminina numa época em que o tema era tabu absoluto. O projeto não foi aprovado, mas o debate voltou à instituição anos depois, até que as escolas mistas finalmente se tornaram realidade no Espírito Santo.
A história é uma das descobertas da pesquisa histórica inédita que dá origem à exposição “190 Caminhos da Cidadania”, que estreia na segunda quinzena de maio (em data ainda a ser marcada), na Assembleia Legislativa, em comemoração aos 190 anos da instituição.
ESCOLAS MISTAS NO BRASIL
As escolas mistas (meninos e meninas juntos) no Brasil começaram a surgir de forma pontual no final do século XIX, mas sua expansão significativa ocorreu nas primeiras décadas do século XX, especialmente entre 1900 e 1930.
Passados 150 anos, a grande maioria das escolas no Brasil, tanto públicas quanto privadas, é mista (coeducação), com meninos e meninas dividindo as mesmas salas de aula e espaços, visando a igualdade de gênero e a socialização.
Clímaco Barbosa estava à frente do seu tempo. Ele tinha razão.
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