Além de todos os obstáculos estruturais, a América Latina tem uma desvantagem a mais para alcançar o seu almejado desenvolvimento econômico: a insegurança pública, que se expressa concretamente, por exemplo, no poder das milícias, como vem ocorrendo no
Rio de Janeiro.
O tema foi abordado neste sábado (28) pela economista-chefe e diretora de Macroeconomia do Banco Santander, a capixaba Ana Paula Vescovi, que participou do painel “Panorama Econômico” durante o
Pedra Azul Summit 2023, encontro de lideranças políticas e empresariais promovido pela Rede Gazeta.
Apesar de reconhecer a gravidade dos efeitos da violência sobre o desenvolvimento econômico, Ana Paula considera que o Estado brasileiro tem os instrumentos para enfrentá-la.
“O país tem técnica e instituições públicas com capacidade para enfrentar a violência, mas é preciso que haja união do governo federal, dos governos locais e das polícias para que esse enfrentamento seja bem-sucedido”, afirma a economista.
Ela lamentou o fato de o crime organizado, principalmente as milícias, ter nascido dentro do aparelho de Estado. “Mais uma vez setores do Estado brasileiro começam a ser dominados pelo crime”, destaca.
E para que a violência não seja um obstáculo ao desenvolvimento econômico do Brasil e da América Latina, Ana Paula sugere algumas ações a serem adotadas. “O policial tem que ter suporte, a Justiça tem que combater a impunidade. É preciso muito foco nas políticas de segurança pública. Será um grande desafio nos próximos anos.”
O estrago provocado pela violência na sociedade não é uma tese, uma mera teoria. Os exemplos são diários, inclusive no Espírito Santo, que não está imune à insegurança pública.
Na madrugada deste sábado (27), por exemplo, segundo registro oficial da
Polícia Militar, no bairro Divinópolis, na Serra, uma mulher de 25 anos foi atingida por tiros, dentro de um carro, foi socorrida, levada para a UPA, mas acabou morrendo.
Segundo informações de moradores, a mulher, moradora da
Serra Sede, foi ao bairro Divinópolis levar um funcionário, mas traficantes da região acharam que eles fossem rivais entrando no bairro, fuzilaram o carro e ela acabou sendo morta.
O Rio não é aqui. Mas será que queremos ser o Rio?