O que está acontecendo com o Iron Trader, navio turco de bandeira panamenha que está atracado em Vila Velha, sob a guarda da
Codesa, há cinco anos e meio? Foto recebida pela coluna mostra que, na semana passada, a embarcação estava com uma inclinação lateral e com a popa (a parte de trás) mais baixa que a proa (a parte da frente).
Procurada pela coluna, a Companhia Docas do ES (Codesa) não quis se pronunciar sobre as condições do navio, inclusive se ele corre risco de afundar. O que se sabe é que uma longa pendência trabalhista ainda não teve solução.
Segundo informou a Codesa no ano passado, o
Ministério Público do Trabalho (MPT) está atuando para que o navio turco seja vendido para pagamento dos créditos trabalhistas aos seus nove tripulantes. Em meados de 2019, a dívida da empresa Iron Group Inc. Turquia, apenas com a Codesa, já ultrapassava R$ 1 milhão, referente a tarifas portuárias.
Em janeiro de 2015, o navio que havia saído da
Turquia dois anos antes, com previsão de parada na África e no Brasil, aportou no Espírito Santo. A embarcação, entretanto, não tinha permissão para entrar no porto e ficou mais de um mês em alto-mar. A partir de então, começou a faltar mantimento para os seus ocupantes, e a entrada no porto foi liberada por questões humanitárias.
Sem representante portuário e sem armador, o navio ficou sem receber combustível, água potável, assistência médica e alimentação para os nove tripulantes. Dois marinheiros turcos, nove meses depois, em outubro, ainda estavam no navio vivendo de doações de uma igreja. Atualmente não há tripulantes no Iron Trader, que está ancorado no Berço 902, no antigo Terminal de São Torquato, pertencente a uma empresa privada.