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Leonel Ximenes

O que um pesquisador da Ufes foi fazer numa ilha “no fim do mundo”

Arquipélago brasileiro acima da linha do Equador está localizado a 1,1 mil quilômetros da costa

Publicado em 17 de Julho de 2024 às 17:30

Públicado em 

17 jul 2024 às 17:30
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo é remoto e inóspito
O Arquipélago de São Pedro e São Paulo é remoto e inóspito Crédito: Divulgação
Navegar é preciso. O arquiteto e pesquisador Bernardo Zandomenico Dias, da Ufes, começa nesta quarta-feira (17) um trabalho desafiador: ele embarca, num navio da Marinha do Brasil, com destino ao remoto e inóspito Arquipélago de São Pedro e São Paulo, localizado a 1,1 mil quilômetros da costa brasileira, para participar do trabalho de pesquisa e desenvolvimento de construções sustentáveis em ilhas oceânicas. O pesquisador realizará diversas atividades científicas no arquipélago até o dia 31 de julho.
Membro do Laboratório de Planejamento e Projetos (LPP) da Ufes, Bernardo Dias atuará em projetos com focos específicos. O primeiro é inspecionar a estação científica instalada no local e avaliar quais materiais e técnicas se mostraram mais eficazes ao longo dos anos de uso da estrutura atual.
O arquiteto e pesquisador capixaba também vai avaliar a viabilidade de instalação de novos materiais e componentes construtivos que poderão ser empregados na nova estação científica, observando seu comportamento frente aos agentes de degradação presentes no arquipélago.

A IMPORTÂNCIA DAS ESTAÇÕES CIENTÍFICAS

As estações científicas em ilhas oceânicas são essenciais para apoiar atividades de pesquisa e fornecer abrigo a profissionais de diversas partes do Brasil e do exterior.
No entanto, a manutenção de edificações em locais remotos, como o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, o Atol das Rocas, a Ilha de Trindade e o Arquipélago de Fernando de Noronha, apresenta desafios significativos devido aos custos elevados de transporte de materiais e mão de obra.
O mapa de localização do Arquipélago de São Pedro e São Paulo
O mapa de localização do Arquipélago de São Pedro e São Paulo Crédito: Marinha do Brasil
Além disso, esses locais são áreas de proteção ambiental, exigindo intervenções humanas cuidadosas para minimizar impactos na fauna, flora e na paisagem.
O ambiente e as condições climáticas severas das ilhas oceânicas testam a durabilidade dos materiais de construção devido às altas temperaturas, umidade, elevada incidência solar, ventos fortes, névoa salina e, no caso do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, abalos sísmicos e ondas intensas. Assim, o projeto visa reunir informações para a construção de uma nova estação científica que combine durabilidade e baixa necessidade de manutenção.
Segundo a professora Cristina Engel, coordenadora do LPP da Ufes, o projeto "Desenvolvimento Tecnológico para a Construção em Ilhas Oceânicas: aplicação no Arquipélago de São Pedro e São Paulo" é um grande passo para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e duráveis para a construção em ilhas oceânicas.
As baixas altitudes e pequenas dimensões tornam o local um ponto crítico para a navegação, pois as ilhas são de difícil detecção a olho nu
As baixas altitudes e pequenas dimensões tornam o local um ponto crítico para a navegação, pois as ilhas são de difícil detecção a olho nu Crédito: Divulgação
“Este trabalho é essencial não apenas para aprimorar nossas práticas construtivas, mas também para contribuir com a preservação ambiental e a redução de custos de manutenção em locais tão remotos. O Laboratório está empenhado em utilizar sua expertise para contribuir com a conservação e o avanço científico em um dos ecossistemas mais desafiadores e fascinantes do planeta”, explica a professora.
O projeto é uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Fundação Espírito-santense de Tecnologia (Fest) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O Arquipélago ocupa uma área emersa de cerca de 17 mil quilômetros quadrados com elevação máxima de 18 m acima do nível do mar
O Arquipélago ocupa uma área emersa de cerca de 17 mil quilômetros quadrados com elevação máxima de 18 m acima do nível do mar Crédito: Ocupa
Desde os tempos das caravelas até os dias atuais, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo tem sido testemunha de uma história fascinante. Formado há cerca de 10 mil anos, essas ilhas únicas receberam seu nome após um evento marcante em 1511, quando marinheiros náufragos foram resgatados pela caravela São Paulo.
Parte do grupo que foi à expedição científica no Arquipélago. Bernardo é o de barba, ao lado da professora Cristina Engel
Parte do grupo que foi à expedição científica no Arquipélago (Bernardo é o de barba, ao lado da professora Cristina Engel) Crédito: Divulgação

CURIOSIDADES SOBRE O ARQUIPÉLAGO

  • Único conjunto de ilhas oceânicas brasileiras acima da linha do Equador.
  • Localizado a 1,1 mil km do litoral do Rio Grande do Norte.
  • Formação geológica única, originada de uma rachadura na crosta terrestre.
  • Marcado por desafios históricos e geológicos, como a destruição de um farol por um tremor tectônico em 1933.
  • Possui uma extensa Zona Econômica Exclusiva para exploração de recursos vivos e não-vivos.
  • É o ponto do Brasil mais próximo da África, distando aproximadamente 1.820 Kim de Guiné Bissau.
  • Trata-se de um remoto grupo de ilhas, próximo à linha do Equador, que ocupa uma área emersa de cerca de 17 mil quilômetros quadrados com elevação máxima de 18 m acima do nível do mar.
  • A primeira estação científica construída no Arquipélago foi inaugurada em 25 de junho de 1998, e a partir desta data o local permanece  habitado.
  • As baixas altitudes e pequenas dimensões tornaram o local um ponto crítico para a navegação, pois as ilhas são de difícil detecção a olho nu, principalmente em condições adversas de luz e de tempo, o que acabou provocando alguns naufrágios ao longo da história.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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